Questão nº 44

Questão de Odontologia · FCC PM-AP 2018 (nº 44)

FCC20182º Tenente QOPMS OdontólogoOdontologia
Gabarito: Bver comentário ↓

Paciente com 66 anos de idade, sexo masculino, traz uma carta de encaminhamento do oncologista com a solicitação de tratamento odontológico prévio à radioterapia de cabeça e pescoço. Durante a anamnese, o paciente relata "dor de dente" ao mastigar e aponta a região posterossuperior esquerda como origem da dor. O exame clínico mostra a presença de raízes residuais do dente 16 e restauração em resina composta no dente 17, além de lesões cavitadas de cárie nos dentes 24 e 25, que apresentam resposta positiva aos testes térmicos. O exame radiográfico mostra lesão periapical na região do dente 17 e exposição pulpar no dente 24.


O plano de tratamento consiste em extração:

I. das raízes residuais do dente 16.
II. do dente 17.
III. do dente 24.
IV. do dente 25.

Está correto o que se afirma APENAS em:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: Antes da radioterapia de cabeça e pescoço, todo dente com risco de gerar infecção futura (raiz residual, lesão periapical, cárie profunda com exposição pulpar) deve ser extraído, pois a radiação causa xerostomia (boca seca) e osteorradionecrose (morte do osso), tornando qualquer tratamento posterior arriscado. Dentes com cárie superficial e resposta vital positiva podem ser restaurados, pois não são fonte imediata de infecção.

  • (A) Incorreta: O dente 25 tem apenas lesão cavitada com resposta positiva ao frio/calor (polpa vital), então é restaurável, não extração. A extração do 16 (raízes residuais) está correta, mas a do 25 não.
  • (B) Correta: O dente 16 (raízes residuais) e o dente 17 (lesão periapical, ou seja, infecção na ponta da raiz) são focos infecciosos que podem causar osteorradionecrose durante a radioterapia. O dente 24 (exposição pulpar) também deveria ser extraído, mas a banca considerou que a exposição pulpar no 24, sem lesão periapical, poderia ser tratada com canal antes da radiação — porém, o gabarito oficial valida apenas I e II, então seguimos o que a banca definiu.
  • (C) Incorreta: O dente 24 tem exposição pulpar (infecção), mas o dente 17 também tem lesão periapical. A alternativa exclui o 17, que é o caso mais clássico de extração pré-radioterapia.
  • (D) Incorreta: O dente 25 é restaurável (polpa viva), e o 17 deve ser extraído. A armadilha aqui é o aluno achar que o 25 (cárie) precisa de extração, mas sem envolvimento pulpar ou periapical, ele pode ser tratado conservadoramente.
  • (E) Incorreta: Ambos (24 e 25) têm cárie, mas o 25 é vital e restaurável. O 24 tem exposição pulpar, mas a banca entendeu que, sem lesão periapical, o canal seria possível — porém, na prática clínica, exposição pulpar em paciente oncológico geralmente indica extração. A pegadinha é o aluno focar na cárie e esquecer que o critério principal é o risco infeccioso (periapical ou pulpar exposta), não a presença de cárie em si.

Armadilha da banca: No distrator (E), o aluno vê "lesões cavitadas" e "exposição pulpar" e marca III e IV, esquecendo que o dente 25 tem polpa viva (resposta positiva ao frio) e que o dente 17, com lesão periapical, é o que mais exige extração. A banca testa se você sabe que cárie sem comprometimento pulpar/periapical não é indicação de extração pré-radioterapia, mas sim restauração.

Fonte: FCC PM-AP 2018 2º Tenente QOPMS Odontólogo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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