Questão nº 12
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 12)
Amor-próprio
O grande cronista Rubem Braga cunha uma frase definitiva a respeito do “amor-próprio”: “Se eu conhecesse outro sujeito igual a mim, nossas relações nunca chegariam a ser grande coisa.” Isto não quer dizer, porém, que não goste de si mesmo. Significa apenas que ele é um homem que põe, sem medos tolos, a diversidade e a surpresa em primeiro lugar. O que mais o atrai na vida é, justamente, a imprevisibilidade. O amor-próprio lhe parece, então, monótono e desnecessário. Quase um vício. Ele evita essas pessoas saudáveis e resolvidas que estão sempre cuidando de si. O cuidado de si, para Braga, é uma forma de mascaramento.
O amor-próprio de Braga se revela no uso que faz da crônica. Em suas mãos, ela é, antes de tudo, uma máquina de confessar. Praticando-a, o cronista expõe as impressões, experiências e sentimentos que o atormentam; ao escrever, enxágua a alma até a mais absoluta transparência.
(CASTELLO, José. Na cobertura de Rubem Braga. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996, p. 56-57)
Está plenamente correto o emprego de ambos os elementos sublinhados em:
- AÉ patente a admiração à qual o autor do texto se vê tomado pelo cronista Rubem Braga, de cujo estilo também analisa à perfeição.
- BNão se deve assumir como boas qualidades os vícios que, tão diligentemente, pretendem-se assim mascarar-se.
- CÉ comum que se registre no estilo de um escritor sincero como Rubem Braga as marcas que em sua linguagem se impõe como testemunho de coragem.
- DAs grandes experiências e sentimentos, de cujo peso nos curvamos, costumam refletir-se na linguagem em cuja nos confessamos.
- ENão será por medos tolos ou inseguranças pueris que Rubem Braga deixará de expor, nas crônicas pelas quais se notabilizou, suas confissões mais pessoais. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O pronome relativo é uma palavra que retoma um termo anterior (chamado antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva, evitando repetições. A preposição que o acompanha (se houver) é determinada pela regência do verbo ou nome da oração subordinada.
(A) Incorreta: "à qual" está incorreto. Quem se vê tomado, se vê tomado por algo. O correto seria "pela qual" ou "por que". "de cujo estilo" está incorreto. Quem analisa, analisa algo (o estilo). O pronome "cujo" já estabelece a relação de posse, não sendo necessária a preposição "de" antes dele. Seria apenas "cujo estilo".
(B) Incorreta: "pretendem-se" está incorreto. A colocação pronominal com verbo no futuro ou no infinitivo não admite a ênclise (pronome depois do verbo) se não houver fator atrativo. Mesmo com "tão diligentemente", a construção "pretendem-se assim mascarar-se" é gramaticalmente inadequada e redundante. O correto seria "pretendem assim mascarar-se" ou "que se pretendem mascarar".
(C) Incorreta: "impõe" está incorreto. O sujeito do verbo "impor" é "as marcas" (plural). Portanto, o verbo deveria estar no plural: "impõem". Há um erro de concordância verbal.
(D) Incorreta: "de cujo peso nos curvamos" está incorreto. Quem se curva, se curva ao peso, sob o peso, diante do peso. A preposição "de" não é a regida pelo verbo "curvar-se" nesse contexto. O correto seria "a cujo peso" ou "sob cujo peso".
(E) Correta: "será" está corretamente empregado no futuro do presente para expressar uma certeza ou uma condição. "pelas quais" está corretamente empregado. O verbo "notabilizar-se" exige a preposição "por" para indicar o meio ou a causa ("notabilizar-se por algo"). Assim, "pelas quais" (por + as quais) retoma "crônicas" de forma adequada.
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.