Questão nº 7
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 7)
Mobilidade urbana
Ao longo dos últimos anos a expressão mobilidade urbana – soma das condições e dos critérios oferecidos para a livre circulação das pessoas numa cidade – tem sido empregada para identificar um dos desafios dos grandes centros urbanos. Trata-se de um conceito mais complexo do que parece: não se reduz a uma simples questão de trânsito, diz respeito ao modo e à qualidade de vida das pessoas, à dinâmica instituída em seu cotidiano. Trata-se, enfim, de considerar uma política pública para qualificar os espaços em que os indivíduos se movimentam.
O desafio está, sobretudo, em escolher os usos do território urbano, em privilegiar este ou aquele meio de transporte, em administrar os rumos e as concentrações de passageiros. Essa escolha não se faz sem pressupostos: o que, de fato, se pretende instituir? A livre circulação dos automóveis? O favorecimento do transporte coletivo? A velocidade máxima em canais de uso regulamentado? Faixas para ciclistas? Calçadões para pedestres? Espaços ambientais interligados? Linhas subterrâneas? A política implicada nesta ou naquela escolha diz muito das convicções de quem administra o espaço das grandes cidades. Como este é fatalmente limitado, e tende a receber um número sempre crescente de usuários, há que se encontrar medidas que otimizem seu uso e favoreçam a mobilidade de quem se considere seu usuário preferencial. Não é à toa que medidas tomadas para a implementação prática da mobilidade urbana provocam polêmicas ácidas, quando não conflitos mais graves, entre setores da população.
Como regra geral, o poder público deve se envolver sobretudo com o que seja coletivo, o que atenda à parte maior da população, visando criar condições dignas para sua mobilidade. O transporte de massas não pode ser sacrificado em nome do transporte individual. A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
(Argemiro Diaféria, inédito)
Há construção na voz passiva e adequada articulação entre os tempos e formas verbais na seguinte frase:
- AO favorecimento do transporte coletivo terá melhores resultados caso o administrador viesse a fazer um correto diagnóstico da demanda existente.
- BAinda que as medidas tomadas sejam insuficientes, os entraves na circulação de veículos desta cidade seriam menos sérios no caso de haver real planejamento.
- CÉ comum que os segmentos mais prestigiados da população queiram manter seus privilégios, conquanto os direitos alheios sejam injustamente negligenciados. (alternativa correta)
- DUma das novas medidas que teriam causado maior discussão é a instauração de faixas exclusivas, nas quais os ciclistas gozassem de maior segurança.
- ECaso o transporte público não constitua uma prioridade, os problemas de circulação nas grandes metrópoles continuariam a atormentar os cidadãos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A voz passiva ocorre quando o sujeito da frase sofre a ação do verbo (em vez de praticá-la), geralmente formada com o verbo "ser" mais um particípio (ex: "a bola foi chutada"). A correlação verbal é a harmonia lógica e gramatical entre os tempos e modos dos verbos em diferentes orações, garantindo que a frase faça sentido temporalmente.
- (A) Incorreta: Não há voz passiva. A correlação verbal está inadequada: "terá" (futuro do presente) não combina com "viesse a fazer" (pretérito imperfeito do subjuntivo). O correto seria "teria melhores resultados caso o administrador viesse a fazer" ou "terá melhores resultados caso o administrador faça".
- (B) Incorreta: Não há voz passiva. A correlação verbal é inadequada: "sejam" (presente do subjuntivo) e "seriam" (futuro do pretérito) com "haver" (infinitivo) criam uma inconsistência temporal. Se a condição é presente ("sejam"), a consequência deveria ser "serão" ou "são", ou a condição deveria ser pretérito imperfeito do subjuntivo ("fossem") para combinar com "seriam".
- (C) Correta: Há voz passiva em "os direitos alheios sejam injustamente negligenciados" (verbo "ser" + particípio). A correlação verbal está adequada: "É comum que... queiram... conquanto... sejam negligenciados". Todos os verbos estão no presente (indicativo ou subjuntivo), mantendo a coerência temporal.
- (D) Incorreta: Não há voz passiva. A correlação verbal é inadequada: "teriam causado" (futuro do pretérito composto), "é" (presente do indicativo) e "gozassem" (pretérito imperfeito do subjuntivo) não se combinam logicamente. Se a medida "é" atual, "causaram" ou "causam" seria mais adequado, e "gozassem" exigiria uma concordância com um tempo verbal hipotético passado.
- (E) Incorreta: Não há voz passiva. A correlação verbal está inadequada: "Caso... não constitua" (presente do subjuntivo) não combina com "continuariam a atormentar" (futuro do pretérito). Para "continuariam", a condição deveria ser "constituísse" (pretérito imperfeito do subjuntivo). Para "constitua", a consequência deveria ser "continuarão".
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.