Questão nº 1
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 1)
Mobilidade urbana
Ao longo dos últimos anos a expressão mobilidade urbana – soma das condições e dos critérios oferecidos para a livre circulação das pessoas numa cidade – tem sido empregada para identificar um dos desafios dos grandes centros urbanos. Trata-se de um conceito mais complexo do que parece: não se reduz a uma simples questão de trânsito, diz respeito ao modo e à qualidade de vida das pessoas, à dinâmica instituída em seu cotidiano. Trata-se, enfim, de considerar uma política pública para qualificar os espaços em que os indivíduos se movimentam.
O desafio está, sobretudo, em escolher os usos do território urbano, em privilegiar este ou aquele meio de transporte, em administrar os rumos e as concentrações de passageiros. Essa escolha não se faz sem pressupostos: o que, de fato, se pretende instituir? A livre circulação dos automóveis? O favorecimento do transporte coletivo? A velocidade máxima em canais de uso regulamentado? Faixas para ciclistas? Calçadões para pedestres? Espaços ambientais interligados? Linhas subterrâneas? A política implicada nesta ou naquela escolha diz muito das convicções de quem administra o espaço das grandes cidades. Como este é fatalmente limitado, e tende a receber um número sempre crescente de usuários, há que se encontrar medidas que otimizem seu uso e favoreçam a mobilidade de quem se considere seu usuário preferencial. Não é à toa que medidas tomadas para a implementação prática da mobilidade urbana provocam polêmicas ácidas, quando não conflitos mais graves, entre setores da população.
Como regra geral, o poder público deve se envolver sobretudo com o que seja coletivo, o que atenda à parte maior da população, visando criar condições dignas para sua mobilidade. O transporte de massas não pode ser sacrificado em nome do transporte individual. A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
(Argemiro Diaféria, inédito)
É complexa a implementação de uma adequada política de mobilidade urbana porque, fundamentalmente,
- Aimplica escolhas das medidas que qualificarão prioridades para a circulação cotidiana das pessoas nos grandes centros urbanos. (alternativa correta)
- Bdepende de soluções técnicas para o enfrentamento de situações emergenciais proporcionadas pelo trânsito intenso de veículos.
- Cdeve desconsiderar os interesses dos setores da população que ocasionalmente venham sendo privilegiados quanto ao uso do espaço público.
- Dpressupõe um pleno consenso dos cidadãos quanto às medidas que definirão o nível da prioridade do transporte público.
- Eenfrenta o desafio de garantir a livre circulação dos usuários, independentemente do meio de transporte de que se valham.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A implementação de uma política de mobilidade urbana é complexa porque exige escolhas e o estabelecimento de prioridades sobre como o espaço urbano será utilizado e quais meios de transporte serão favorecidos, impactando diretamente a vida das pessoas.
- (A) Correta: O texto afirma que "O desafio está, sobretudo, em escolher os usos do território urbano, em privilegiar este ou aquele meio de transporte" e que "A política implicada nesta ou naquela escolha diz muito das convicções de quem administra". Isso demonstra que a complexidade reside fundamentalmente na necessidade de fazer escolhas e definir prioridades para a circulação.
- (B) Incorreta: O texto explicitamente diz que o conceito "não se reduz a uma simples questão de trânsito", indicando que a complexidade vai além de soluções técnicas para emergências de trânsito.
- (C) Incorreta: O texto menciona que as medidas "provocam polêmicas ácidas, quando não conflitos mais graves, entre setores da população", o que implica que os interesses desses setores são considerados, ainda que o poder público deva priorizar o coletivo. A complexidade surge justamente do embate desses interesses, não de sua desconsideração.
- (D) Incorreta: O texto contradiz essa afirmação ao mencionar as "polêmicas ácidas" e "conflitos mais graves" entre a população, o que indica a ausência de um pleno consenso, e não a sua pressuposição.
- (E) Incorreta: O texto sugere que a complexidade está em escolher quais meios de transporte privilegiar (ex: transporte coletivo versus automóvel), o que implica que a livre circulação de todos os usuários, independentemente do meio, não é o objetivo principal ou igualmente garantido, mas sim uma questão de prioridade e otimização do uso do espaço limitado.
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.