Questão nº 6
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 6)
Mobilidade urbana
Ao longo dos últimos anos a expressão mobilidade urbana – soma das condições e dos critérios oferecidos para a livre circulação das pessoas numa cidade – tem sido empregada para identificar um dos desafios dos grandes centros urbanos. Trata-se de um conceito mais complexo do que parece: não se reduz a uma simples questão de trânsito, diz respeito ao modo e à qualidade de vida das pessoas, à dinâmica instituída em seu cotidiano. Trata-se, enfim, de considerar uma política pública para qualificar os espaços em que os indivíduos se movimentam.
O desafio está, sobretudo, em escolher os usos do território urbano, em privilegiar este ou aquele meio de transporte, em administrar os rumos e as concentrações de passageiros. Essa escolha não se faz sem pressupostos: o que, de fato, se pretende instituir? A livre circulação dos automóveis? O favorecimento do transporte coletivo? A velocidade máxima em canais de uso regulamentado? Faixas para ciclistas? Calçadões para pedestres? Espaços ambientais interligados? Linhas subterrâneas? A política implicada nesta ou naquela escolha diz muito das convicções de quem administra o espaço das grandes cidades. Como este é fatalmente limitado, e tende a receber um número sempre crescente de usuários, há que se encontrar medidas que otimizem seu uso e favoreçam a mobilidade de quem se considere seu usuário preferencial. Não é à toa que medidas tomadas para a implementação prática da mobilidade urbana provocam polêmicas ácidas, quando não conflitos mais graves, entre setores da população.
Como regra geral, o poder público deve se envolver sobretudo com o que seja coletivo, o que atenda à parte maior da população, visando criar condições dignas para sua mobilidade. O transporte de massas não pode ser sacrificado em nome do transporte individual. A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
(Argemiro Diaféria, inédito)
O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se de modo a concordar com o elemento sublinhado na frase:
- ASe não se (considerar) os efeitos práticos desse novo planejamento urbano, a cidade tornar-se-á um caos em que todos estaremos mergulhados.
- BA administração de algumas pequenas cidades, de modo bisonho, (simular) problemas de mobilidade urbana para encontrar soluções desnecessárias.
- CÉ preciso que se (cobrar) do poder público medidas gerenciais que garantam uma aceitável qualidade de vida para a maioria da população. (alternativa correta)
- DTransitar em espaços ambientais ou amplos calçadões não (constituir) privilégios, mas condições dignas de mobilidade urbana.
- EHá resoluções que não (caber) ao poder público tomar sem antes averiguar quais sejam os reais interesses da maior parte dos cidadãos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A concordância verbal exige que o verbo se ajuste em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) ao seu sujeito. O desafio é identificar corretamente quem é o sujeito da ação verbal.
- (A) Incorreta: Na frase "Se não se (considerar) os efeitos práticos desse novo planejamento urbano...", o sujeito da forma verbal "considerar" (em construção passiva com "se") é "os efeitos práticos" (plural). Portanto, o verbo deveria ser "considerarem". O elemento sublinhado "planejamento" não é o sujeito do verbo, mas parte de um adjunto adnominal.
- (B) Incorreta: Em "A administração de algumas pequenas cidades, de modo bisonho, (simular) problemas...", o sujeito do verbo "simular" é "A administração" (singular). O elemento sublinhado "cidades" faz parte de um adjunto adnominal de "administração" e não é o sujeito. O verbo deveria ser "simula".
- (C) Correta: Na frase "É preciso que se (cobrar) do poder público medidas gerenciais...", temos uma construção de voz passiva sintética com a partícula "se". Nesse caso, o verbo concorda com o sujeito paciente. O sujeito paciente de "cobrar" é "medidas" (plural). Como "medidas" é o elemento sublinhado e é o sujeito, o verbo "cobrar" deve flexionar-se para o plural, tornando-se "cobrem".
- (D) Incorreta: Em "Transitar em espaços ambientais ou amplos calçadões não (constituir) privilégios...", o sujeito do verbo "constituir" é a oração substantiva "Transitar em espaços ambientais ou amplos calçadões", que funciona como um sujeito oracional e, portanto, é considerada singular. O elemento sublinhado "privilégios" não é o sujeito, mas o predicativo do sujeito (ou objeto direto, dependendo da análise). O verbo deveria ser "constitui".
- (E) Incorreta: Na frase "Há resoluções que não (caber) ao poder público tomar...", o sujeito do verbo "caber" é o pronome relativo "que". Este pronome retoma o seu antecedente, "resoluções" (plural). Assim, o verbo "caber" deveria concordar com "que" (que se refere a "resoluções" plural), flexionando-se para "cabem". A armadilha da banca aqui é que, embora o verbo concorde com o antecedente do pronome relativo (o elemento sublinhado), o elemento sublinhado em si ("resoluções") não é o sujeito direto do verbo "caber", mas sim o seu antecedente. A questão pede a concordância com o elemento sublinhado, e em C, o elemento sublinhado é o sujeito.
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.