Questão nº 8
Questão de Língua Portuguesa · FCC DETRAN-MA 2018 (nº 8)
Mobilidade urbana
Ao longo dos últimos anos a expressão mobilidade urbana – soma das condições e dos critérios oferecidos para a livre circulação das pessoas numa cidade – tem sido empregada para identificar um dos desafios dos grandes centros urbanos. Trata-se de um conceito mais complexo do que parece: não se reduz a uma simples questão de trânsito, diz respeito ao modo e à qualidade de vida das pessoas, à dinâmica instituída em seu cotidiano. Trata-se, enfim, de considerar uma política pública para qualificar os espaços em que os indivíduos se movimentam.
O desafio está, sobretudo, em escolher os usos do território urbano, em privilegiar este ou aquele meio de transporte, em administrar os rumos e as concentrações de passageiros. Essa escolha não se faz sem pressupostos: o que, de fato, se pretende instituir? A livre circulação dos automóveis? O favorecimento do transporte coletivo? A velocidade máxima em canais de uso regulamentado? Faixas para ciclistas? Calçadões para pedestres? Espaços ambientais interligados? Linhas subterrâneas? A política implicada nesta ou naquela escolha diz muito das convicções de quem administra o espaço das grandes cidades. Como este é fatalmente limitado, e tende a receber um número sempre crescente de usuários, há que se encontrar medidas que otimizem seu uso e favoreçam a mobilidade de quem se considere seu usuário preferencial. Não é à toa que medidas tomadas para a implementação prática da mobilidade urbana provocam polêmicas ácidas, quando não conflitos mais graves, entre setores da população.
Como regra geral, o poder público deve se envolver sobretudo com o que seja coletivo, o que atenda à parte maior da população, visando criar condições dignas para sua mobilidade. O transporte de massas não pode ser sacrificado em nome do transporte individual. A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
(Argemiro Diaféria, inédito)
A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
Uma nova, correta e coerente redação da frase acima, iniciando-se por uma inversão na ordem de seus elementos, poderá ser:
A maioria dos que habitam as grandes cidades
- Atêm sofrido a primazia do automóvel, com seus prejuízos de qualidade de vida.
- Bvem sendo infligida, pela primazia do automóvel, de custos em sua qualidade de vida.
- Csofre, graças à primazia do automóvel, que lhes infligem danos na qualidade de vida.
- Dtem sofrido danos em sua qualidade de vida, em função da primazia do automóvel. (alternativa correta)
- Evem sofrendo, em sua qualidade de vida, o que lhe inflige os privilégios do automóvel.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
A concordância verbal é a regra que exige que o verbo se ajuste ao seu sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Quando o sujeito é um coletivo seguido de um termo no plural (como "a maioria dos que..."), o verbo pode concordar tanto com o coletivo (no singular) quanto com o termo no plural (no plural), dependendo da ênfase.
Original: A primazia do automóvel tem infligido enormes custos à qualidade de vida da maioria dos que habitam as grandes cidades.
Início da nova frase: A maioria dos que habitam as grandes cidades...
- A) Incorreta: A expressão "sofrer a primazia do automóvel" é semanticamente inadequada; não se "sofre" a primazia, mas sim os seus efeitos.
- B) Incorreta: A construção "vem sendo infligida... de custos" é gramaticalmente incorreta. O verbo "infligir" pede um objeto direto (o que é infligido) e um indireto (a quem), não se usa "ser infligido de".
- C) Incorreta: Há dois erros: 1. "graças à primazia" é semanticamente inadequado, pois "graças a" indica causa positiva, e aqui se fala de sofrimento. 2. O pronome relativo "que" retoma "primazia do automóvel" (singular), então o verbo deveria ser "lhe inflige" (singular), e não "lhes infligem" (plural).
- (D) Correta: O verbo "tem sofrido" (singular) concorda corretamente com "a maioria" (sujeito coletivo). A construção "sofrer danos em sua qualidade de vida" é gramaticalmente correta e mantém o sentido original. A expressão "em função da" estabelece a relação de causa de forma adequada.
- E) Incorreta: Há um erro de concordância verbal. O sujeito do verbo "inflige" é "os privilégios do automóvel" (plural), portanto, o verbo deveria estar no plural ("infligem"), e não no singular ("inflige").
Fonte: FCC DETRAN-MA 2018 A01 - Analista de Trânsito (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.