Questão nº 45
Questão de Pedagogia · FCC ALAP 2019 (nº 45)
Considerando que o público das classes de EJA é de pessoas entre 20 e 75 anos de idade, fica evidente que o termo "folhinha" usado pela professora deve causar estranhamento ao grupo. Além disso, o uso do diminutivo relembra permanentemente ao aluno da EJA que o lugar que ele ocupa naquela classe configura uma distorção. A organização dos conteúdos a serem trabalhados e os modos de abordagem seguem as propostas desenvolvidas para as crianças do ensino regular, e a linguagem utilizada pelo professorado infantiliza pessoas que, se não puderam ir à escola, tiveram e têm uma vida rica em aprendizagens que mereceriam maior atenção.
De acordo com a situação problematizada no texto,
- Aos alunos deveriam expor sua experiência de vida para as crianças do ensino regular.
- Bo uso de uma linguagem infantil denota o desconhecimento do docente a respeito da seleção e organização de saberes para o seu público.
- Ca centralidade dos conteúdos acadêmicos no currículo de EJA é motivada pela otimização do tempo: não ensinar o que os alunos já sabem.
- Da distorção (linha 3) mencionada no texto se refere à dinâmica do currículo, ao não se adaptar aos saberes do aluno adulto.
- Ea seleção dos saberes que devem compor um currículo precisa levar em consideração os indivíduos reais que são os sujeitos da aprendizagem. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave aqui é que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) deve ser pensada para o aluno adulto, valorizando sua experiência de vida e adaptando o currículo e a linguagem, em vez de infantilizá-lo ou usar métodos de ensino infantil.
- (A) Incorreta: Esta alternativa propõe uma ação (expor experiência para crianças) que não está diretamente relacionada à problemática do currículo e da linguagem na EJA, conforme descrito no texto.
- (B) Incorreta: Embora a linguagem infantil seja um problema e possa indicar desconhecimento, a alternativa foca na causa (desconhecimento do docente) e não na consequência ou na solução pedagógica mais ampla que o texto problematiza. O texto aponta para uma questão mais estrutural de organização de conteúdos. A armadilha é que a linguagem infantil é mencionada, mas a alternativa B restringe a causa a um "desconhecimento" do docente, enquanto o texto sugere que a organização dos conteúdos segue propostas para crianças, o que é um problema de concepção curricular, não apenas de conhecimento individual do professor.
- (C) Incorreta: Esta alternativa contradiz o texto. O texto critica justamente o fato de que os conteúdos seguem propostas para crianças, ignorando as aprendizagens prévias dos adultos, e não otimizando o tempo ao não ensinar o que eles já sabem.
- (D) Incorreta: Embora a interpretação da "distorção" esteja correta (o currículo não se adapta ao adulto), esta alternativa apenas descreve parte do problema. A questão pede o que pode ser concluído da situação problematizada, e a alternativa E oferece um princípio pedagógico mais abrangente e fundamental que a situação problematizada viola. A armadilha é que esta alternativa é verdadeira em relação ao texto, mas não é a melhor ou mais completa conclusão pedagógica que se pode tirar da problematização.
- (E) Correta: Esta alternativa resume o princípio pedagógico fundamental que o texto defende. A situação problematizada é que o currículo e a linguagem não levam em consideração os indivíduos reais e suas ricas aprendizagens. Portanto, a conclusão é que eles devem levar em consideração. O texto finaliza dizendo que as aprendizagens dos adultos "mereceriam maior atenção", o que é exatamente o que esta alternativa propõe.
Fonte: FCC ALAP 2019 Analista Legislativo - Pedagogo (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.