Questão nº 17

Questão de Direito Constitucional · FCC ALAP 2019 (nº 17)

FCC2019Advogado Legislativo - ProcuradorDireito Constitucional
Gabarito: Dver comentário ↓

O prefeito do município X opôs veto a projeto de lei que entendeu de sua iniciativa privativa. Um grupo de parlamentares argumenta que a matéria é de iniciativa geral ou concorrente e que a ação do chefe do Executivo constitui abuso do exercício do poder de veto, o que afrontaria o princípio da separação dos poderes previsto no artigo 2º da Constituição Federal. A procuradoria da Câmara foi instada a se manifestar acerca da possibilidade de judicialização da questão. Considerando a autocontenção judicial (judicial self-restraint), a orientação jurídica correta é:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

O conceito-chave aqui é a autocontenção judicial (judicial self-restraint), que significa que o Poder Judiciário deve se abster de intervir em questões que são de natureza política ou que podem ser resolvidas pelos próprios mecanismos dos outros Poderes (Executivo e Legislativo), respeitando a separação de poderes.

  • (A) Incorreta: Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) federal perante o STF não é o instrumento adequado para questionar um veto municipal. O STF não julga ADIs de leis municipais em face da Constituição Federal, e o veto é um ato político, não uma lei ou ato normativo finalizado.
  • (B) Incorreta: Embora o Tribunal de Justiça seja competente para julgar ADI de lei municipal em face da Constituição Estadual, o veto, como ato político integrante do processo legislativo, não é o objeto típico de uma ADI. A ADI visa a declaração de inconstitucionalidade de uma lei ou ato normativo já existente, não do ato de veto em si, que é uma etapa anterior. A armadilha é que, embora a iniciativa privativa seja tema de reprodução obrigatória, a questão foca no veto como ato político, não na lei resultante.
  • (C) Incorreta: A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) tem caráter subsidiário, ou seja, só é cabível se não houver outro meio eficaz de sanar a lesividade. No caso do veto, o próprio Poder Legislativo tem o mecanismo para resolvê-lo (mantê-lo ou derrubá-lo), o que afasta a subsidiariedade da ADPF.
  • (D) Correta: O veto é um ato político inerente ao processo legislativo, uma prerrogativa do Executivo para controlar a produção normativa. O controle desse ato é, primariamente, político e exercido pela própria Câmara Municipal, que tem a competência para mantê-lo ou rejeitá-lo. A intervenção do Poder Judiciário no mérito do veto (se houve abuso ou se a matéria era de iniciativa privativa) seria uma violação da autocontenção judicial e da separação de poderes, pois o Judiciário não deve substituir o Legislativo em suas atribuições políticas.
  • (E) Incorreta: A Ação Popular visa anular atos lesivos ao patrimônio público, moralidade administrativa, meio ambiente ou patrimônio histórico e cultural. Embora o abuso de poder possa ter implicações morais, o veto, como ato político no processo legislativo, não se enquadra tipicamente como objeto de Ação Popular, que busca a anulação de atos administrativos ou contratos, não o controle político de um veto. A segunda parte da alternativa, sobre a subsidiariedade da ADPF, está correta, mas não valida a primeira parte.

Fonte: FCC ALAP 2019 Advogado Legislativo - Procurador (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho