Questão nº 2

Questão de Língua Portuguesa · FCC ALAP 2019 (nº 2)

FCC2019Advogado Legislativo - ProcuradorLíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

Tempos da arte

Os tempos mudam, os costumes mudam, mudam as pessoas – e tantas obras de arte ficam. Elas não mudam? Certamente a linguagem em que se plasmaram permanece a mesma, mas os focos de leitura e a recepção delas mudam, e fazem caminhar no tempo o sentido delas. A principal característica de um grande artista é a atualização possível de sua obra. Mais do que "resistir ao tempo", ela sabe se transformar com ele, acionada pelas mudanças de perspectiva de quem a contempla.

Artistas grandes produzem objetos que são capazes de refletir dinamicamente a diversidade dos tempos históricos, das culturas nacionais, dos avanços da ciência. São obras por cuja maleabilidade ameaçam eternizar-se, na medida mesma em que funcionam como espelhos possíveis de cada momento. É um paradoxo, este, o de algo permanecer vivo quando tudo que o produziu já feneceu. Podemos contar com as artes como testemunhas dinâmicas que são de seu tempo, do nosso tempo e do que ainda virá.

(Gaudêncio Firmino, inédito)


A expressão É um paradoxo, no segundo parágrafo do texto, aplica-se

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Um paradoxo é uma afirmação que parece contraditória ou absurda, mas que, ao ser analisada, revela uma verdade profunda ou um sentido inesperado. No texto, o paradoxo se refere à capacidade da obra de arte de permanecer viva e relevante mesmo quando tudo que a criou já não existe.

  • (A) Incorreta: A alternativa contradiz o texto ao afirmar que as obras "se programaram para uma curta duração". O paradoxo reside na longevidade inesperada ou na capacidade de permanecer vivo, não em uma contradição de programação.
  • (B) Correta: Esta alternativa descreve perfeitamente o paradoxo apresentado no texto: "o de algo permanecer vivo quando tudo que o produziu já feneceu". A obra resiste ao tempo, enquanto o contexto e as condições que a originaram desapareceram.
  • (C) Incorreta: O texto afirma que a obra "sabe se transformar com ele [o tempo]", e não que ela dura mais "quanto mais apegada às suas origens". Pelo contrário, sua capacidade de atualização e reflexão de novos tempos é que a mantém viva. A armadilha aqui é confundir "resistir ao tempo" com uma fixidez ou apego ao passado, quando o texto enfatiza a transformação.
  • (D) Incorreta: O texto menciona explicitamente a "maleabilidade" das obras que as leva a eternizar-se, e não a "pouca maleabilidade".
  • (E) Incorreta: O texto diz que as obras "funcionam como espelhos possíveis de cada momento", ou seja, elas espelham as épocas, e não que resistem a elas "quanto menos as espelham".

Fonte: FCC ALAP 2019 Advogado Legislativo - Procurador (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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