Questão nº 3
Questão de Língua Portuguesa · FCC ALAP 2019 (nº 3)
Tempos da arte
Os tempos mudam, os costumes mudam, mudam as pessoas – e tantas obras de arte ficam. Elas não mudam? Certamente a linguagem em que se plasmaram permanece a mesma, mas os focos de leitura e a recepção delas mudam, e fazem caminhar no tempo o sentido delas. A principal característica de um grande artista é a atualização possível de sua obra. Mais do que "resistir ao tempo", ela sabe se transformar com ele, acionada pelas mudanças de perspectiva de quem a contempla.
Artistas grandes produzem objetos que são capazes de refletir dinamicamente a diversidade dos tempos históricos, das culturas nacionais, dos avanços da ciência. São obras por cuja maleabilidade ameaçam eternizar-se, na medida mesma em que funcionam como espelhos possíveis de cada momento. É um paradoxo, este, o de algo permanecer vivo quando tudo que o produziu já feneceu. Podemos contar com as artes como testemunhas dinâmicas que são de seu tempo, do nosso tempo e do que ainda virá.
(Gaudêncio Firmino, inédito)
Está clara, correta e coerente com o sentido do texto a seguinte formulação:
- AAs obras de arte imperescíveis são aquelas que sabem traduzir tudo o que em diversas épocas são capazes de interpretá-las.
- BCabem aos receptadores culturais de cada época valorizar o sentido que nas obras de arte mais qualificadas venham a se determinar.
- CObras de um passado bastante remoto deixaram-nos um legado o qual nos causa espanto, pela vivacidade que ainda permanecem à despeito do tempo.
- DSão as diferentes gerações de público as responsáveis maiores pela permanência das obras de arte, haja visto aquelas de cujo sabor clássico se atualiza para nós.
- EFala-se no texto sobre essa capacidade que têm as obras de arte de se atualizarem em cada época, satisfazendo expectativas de sentido de sucessivas gerações. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave do texto é que a permanência e relevância das obras de arte ao longo do tempo não se devem à sua imutabilidade, mas sim à sua capacidade de serem reinterpretadas e atualizadas por diferentes gerações, adaptando-se às novas perspectivas e contextos.
- (A) Incorreta: A formulação "traduzir tudo o que em diversas épocas são capazes de interpretá-las" é gramaticalmente confusa e não reflete o sentido de que as obras são interpretadas e atualizadas, e não que elas traduzem as interpretações.
- (B) Incorreta: A alternativa foca na "valorização" de um sentido que "venha a se determinar", o que é menos dinâmico do que a ideia de que o sentido caminha no tempo e a obra se transforma. Além disso, o texto enfatiza a característica da obra, não apenas a ação do receptor.
- (C) Incorreta: Embora seja verdade que obras antigas permaneçam vivas e causem espanto, esta alternativa descreve apenas o resultado (permanecem vivas) e a reação (causam espanto), sem abordar o mecanismo explicado no texto (a atualização e transformação do sentido).
- (D) Incorreta: Esta alternativa é tentadora porque o público é, de fato, um agente importante. No entanto, o texto enfatiza a capacidade intrínseca da obra ("ela sabe se transformar", "atualização possível de sua obra", "maleabilidade") que permite essa permanência, mesmo que "acionada pelas mudanças de perspectiva de quem a contempla". D foca na "responsabilidade" do público, enquanto o texto foca na "capacidade" da obra.
- (E) Correta: Esta alternativa resume perfeitamente o ponto central do texto. Ela destaca a "capacidade que têm as obras de arte de se atualizarem em cada época", o que corresponde à "atualização possível de sua obra" e ao fato de que "ela sabe se transformar com ele". Além disso, menciona que isso ocorre "satisfazendo expectativas de sentido de sucessivas gerações", o que se alinha com a ideia de que "os focos de leitura e a recepção delas mudam, e fazem caminhar no tempo o sentido delas".
Fonte: FCC ALAP 2019 Advogado Legislativo - Procurador (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.