Questão nº 4
Questão de Língua Portuguesa · FCC ALAP 2019 (nº 4)
Tempos da arte
Os tempos mudam, os costumes mudam, mudam as pessoas – e tantas obras de arte ficam. Elas não mudam? Certamente a linguagem em que se plasmaram permanece a mesma, mas os focos de leitura e a recepção delas mudam, e fazem caminhar no tempo o sentido delas. A principal característica de um grande artista é a atualização possível de sua obra. Mais do que "resistir ao tempo", ela sabe se transformar com ele, acionada pelas mudanças de perspectiva de quem a contempla.
Artistas grandes produzem objetos que são capazes de refletir dinamicamente a diversidade dos tempos históricos, das culturas nacionais, dos avanços da ciência. São obras por cuja maleabilidade ameaçam eternizar-se, na medida mesma em que funcionam como espelhos possíveis de cada momento. É um paradoxo, este, o de algo permanecer vivo quando tudo que o produziu já feneceu. Podemos contar com as artes como testemunhas dinâmicas que são de seu tempo, do nosso tempo e do que ainda virá.
(Gaudêncio Firmino, inédito)
É um paradoxo, este, o de algo permanecer vivo quando tudo o que o produziu já feneceu.
Essa frase do texto ganha nova e correta redação, sem prejuízo para seu sentido essencial, em:
- AQuando pelos fatores que a produziram permanecem vivas, tais obras não deixam de se constituir paradoxais.
- BEis o paradoxo: mostrar-se ainda viva uma obra para a qual deixa de concorrer exatamente as causas que lhe fizeram nascer.
- CÉ paradoxal que se mostre permanentemente viva uma obra de arte, quando já não existe nada do que provocou sua criação. (alternativa correta)
- DOcorre um paradoxo, que se revela na obra de arte em cujo mérito é sua permanência acima de tudo o que já morreu.
- EAinda que hajam morrido suas razões de ser, há obras de arte que, paradoxalmente, não as ocorre o mesmo fenecimento.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
A reescrita e equivalência sintática consiste em expressar a mesma ideia de uma frase de outra forma, mantendo o sentido original, a correção gramatical e a clareza.
Frase original: É um paradoxo, este, o de algo permanecer vivo quando tudo o que o produziu já feneceu.
- (A) Incorreta: A frase original afirma que o que produziu a obra "feneceu" (morreu/desapareceu). Esta alternativa inverte o sentido ao dizer que "os fatores que a produziram permanecem vivas".
- (B) Incorreta: Há um erro de regência verbal. O verbo "fazer" no sentido de "causar" ou "originar" é transitivo direto. O correto seria "as causas que a fizeram nascer" (referindo-se à obra), e não "lhe fizeram nascer". Além disso, "deixa de concorrer" não é totalmente equivalente a "já feneceu". Armadilha: A estrutura da frase é bem elaborada e o sentido parece próximo, mas o erro gramatical com o pronome "lhe" é crucial.
- (C) Correta: Esta alternativa mantém integralmente o sentido da frase original. "É paradoxal que se mostre permanentemente viva uma obra de arte" corresponde a "É um paradoxo... o de algo permanecer vivo". "quando já não existe nada do que provocou sua criação" é uma paráfrase exata para "quando tudo o que o produziu já feneceu". A construção é gramaticalmente impecável.
- (D) Incorreta: A frase original foca no paradoxo de a obra permanecer viva apesar de o que a produziu ter morrido. Esta alternativa muda o foco para o "mérito" da obra e a relação com "tudo o que já morreu" é mais vaga e não especifica que o que morreu foi o que a produziu.
- (E) Incorreta: A construção "não as ocorre o mesmo fenecimento" está gramaticalmente incorreta e confusa. O verbo "ocorrer" (no sentido de acontecer) não se constrói com objeto direto "as" nesse contexto; o correto seria "não lhes ocorre o mesmo fenecimento" ou uma reestruturação completa. Além disso, "hajam morrido" deveria ser "tenham morrido" (se o sujeito for "razões de ser").
Fonte: FCC ALAP 2019 Advogado Legislativo - Procurador (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.