Questão nº 53

Questão de Medicina do Trabalho · CESGRANRIO CAIXA-01/2025 (nº 53)

CESGRANRIO2025Médico do TrabalhoMedicina do Trabalho
Gabarito: Bver comentário ↓

Durante avaliação médica em uma empresa do setor bancário, um funcionário de 38 anos relata fadiga persistente, irritabilidade, insônia e desinteresse pelo trabalho. Refere sensação de vazio, dificuldade de concentração e sentimento de ineficácia profissional. Nega histórico psiquiátrico e afirma que os sintomas se intensificaram após aumento de metas e cobrança por produtividade.

Considerando-se as informações acima, qual interpretação e conduta são adequadas para o caso descrito?

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é a Síndrome de Burnout (esgotamento profissional), que é um fenômeno ligado ao trabalho e não uma depressão ou ansiedade “comum”. Ela se caracteriza pela tríade: exaustão emocional (fadiga, insônia), despersonalização (irritabilidade, distanciamento) e baixa realização profissional (sentimento de ineficácia, desinteresse). O diagnóstico é essencialmente clínico e contextual, e a conduta inicial envolve afastar a causa ocupacional e tratar de forma multidisciplinar, não apenas com repouso ou remédios.

  • (A) Incorreta: Minimiza o quadro; os sintomas são intensos e persistentes (não “leves”), e o retorno imediato sem mudar as condições de trabalho perpetua o problema, podendo agravar o esgotamento.
  • (B) Correta: O relato preenche os critérios de esgotamento físico e emocional relacionado ao trabalho (Burnout), e a conduta adequada é o acompanhamento multiprofissional (médico, psicólogo, terapeuta ocupacional) somado à reorganização das condições laborais (redução de metas, pausas, suporte), pois a causa é ocupacional.
  • (C) Incorreta: Embora haja sintomas depressivos, eles são secundários ao contexto laboral e não um episódio depressivo primário; a conduta imediata não é medicamentosa, mas sim a abordagem do estresse crônico no trabalho.
  • (D) Incorreta: A irritabilidade e a insônia podem mimetizar ansiedade, mas o quadro central é de esgotamento e ineficácia, não de preocupação excessiva ou tensão generalizada; priorizar ansiolíticos seria tratar o sintoma e não a causa ocupacional.
  • (E) Incorreta: A armadilha da banca está em sugerir exames complementares para “confirmar” o diagnóstico. Burnout é um diagnóstico clínico e contextual, sem marcador laboratorial específico; exames podem ser úteis para descartar outras doenças (como hipotireoidismo), mas não servem para confirmar o quadro ocupacional nem substituem a avaliação psicossocial.

Fonte: CESGRANRIO CAIXA-01/2025 Médico do Trabalho (Caderno Prova única). Reproduzida para fins de estudo.

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