Questão nº 46
Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 46)
Paciente masculino de 58 anos, diabético tipo I e tabagista, deu entrada no serviço de emergência com quadro de dor subesternal em opressão e dispneia de início há 1 hora, que pioram com esforços, náuseas, 1 episódio de vômito, diaforese, vertigem e sensação de fraqueza.
Ao exame: PA 130/80, pulso rítmico, murmúrio vesicular universalmente audível sem ruídos adventícios, sem dor à palpação abdominal e torácica.
Realizada radiografia de tórax, que não evidenciou alterações, e ECG com o traçado a seguir.

Conforme os dados clínicos e analisando o traçado do ECG, o diagnóstico mais provável é:
- Apneumotórax hipertensivo;
- Bpericardite aguda;
- Cangina estável;
- Dinfarto agudo do miocárdio; (alternativa correta)
- Eembolia pulmonar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Um infarto agudo do miocárdio (IAM), popularmente conhecido como ataque cardíaco, ocorre quando o fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco (miocárdio) é subitamente bloqueado, geralmente por um coágulo, causando a morte das células musculares. No eletrocardiograma (ECG), o sinal mais característico de um IAM em andamento é a elevação do segmento ST, que indica lesão miocárdica aguda.
Conceito-chave: A elevação do segmento ST em duas ou mais derivações contíguas do ECG, acompanhada de sintomas típicos, é o principal critério para diagnosticar um Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST (IAMCSST), que exige tratamento de emergência.
- (A) Incorreta: Pneumotórax hipertensivo é uma emergência respiratória com achados específicos no exame físico (hipersonoridade, murmúrio vesicular abolido, desvio de traqueia) e na radiografia de tórax (colapso pulmonar, desvio mediastinal), que não foram encontrados no paciente.
- (B) Incorreta: Pericardite aguda pode causar dor torácica e elevação do segmento ST no ECG, mas a elevação é tipicamente difusa (em muitas derivações), côncava para cima e sem as alterações recíprocas (depressão do ST em outras derivações) que são vistas no IAM. A dor da pericardite também costuma piorar com a inspiração e melhorar ao inclinar-se para frente.
- (C) Incorreta: Angina estável é uma dor no peito que ocorre previsivelmente com esforço e é aliviada pelo repouso ou nitrato, sem alterações isquêmicas persistentes no ECG de repouso. O quadro do paciente é agudo, grave e com alterações eletrocardiográficas evidentes, caracterizando uma síndrome coronariana aguda, não angina estável. Armadilha da banca: A menção de "pioram com esforços" pode levar a pensar em angina, mas a gravidade dos sintomas, o início agudo e, principalmente, as alterações no ECG afastam a angina estável.
- (D) Correta: O paciente apresenta fatores de risco importantes (diabético tipo I e tabagista), sintomas clássicos de isquemia miocárdica (dor subesternal em opressão, dispneia, náuseas, vômito, diaforese, vertigem e fraqueza) e, crucialmente, o ECG mostra elevação do segmento ST em derivações inferiores (II, III, aVF) com alterações recíprocas (depressão do ST em aVL e V1-V3), que são achados patognomônicos de um infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST).
- (E) Incorreta: Embolia pulmonar pode causar dor torácica e dispneia, mas os achados do ECG seriam diferentes (ex: taquicardia sinusal, S1Q3T3, bloqueio de ramo direito) e não a elevação do segmento ST característica do IAM. A radiografia de tórax geralmente é normal ou mostra alterações inespecíficas, mas não o padrão de ECG visto.
Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Clínica Geral) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.