Questão nº 45
Questão de Estatística · FGV TJ-SE Servidor 2023 (nº 45)
Suponha que uma pessoa está sendo julgada em 1ª instância sobre o cometimento de um crime. A probabilidade, a priori, de a pessoa ser condenada é de 20%. Para esses casos, há dois tipos de evidências (A e B). Se a pessoa é culpada, a evidência A aparece em 70% dos casos, e a evidência B, em 90% dos casos. Já se a pessoa é inocente, a evidência A aparece em 10% dos casos, e a evidência B, em 5% dos casos.
Considerando esses dados, indique aproximadamente a cada quantos julgamentos uma pessoa inocente será condenada, mesmo na ausência de qualquer uma das duas evidências:
- A20;
- B143; (alternativa correta)
- C200;
- D317;
- E2.000.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Conceito-chave: O Teorema de Bayes atualiza uma probabilidade inicial (a priori) quando chegam novas informações (as evidências). Aqui, a "pegadinha" é que a pergunta fala em "ausência de qualquer uma das duas evidências", ou seja, precisamos calcular a probabilidade de condenação dado que NEM A nem B apareceram — e não simplesmente ignorar as evidências e usar os 20% iniciais.
- (A) Incorreta: 20 seria o número de julgamentos se você usasse a probabilidade a priori de 20% (1/0,20 = 5, não 20) ou se confundisse a chance de condenação geral com a de inocente condenado. É um distrator que mistura os números crus sem aplicar Bayes.
- (B) Correta: Primeiro, calcule a probabilidade de um inocente não ter A nem B: . A probabilidade de um culpado não ter A nem B: . Pelo Teorema de Bayes, a chance de ser culpado dado que não há evidências é: . Isso significa que, a cada julgamentos sem evidências, um será de um culpado — mas a pergunta pede "inocente condenado". A chance de um inocente ser condenado (culpado dado sem evidências) é , então a cada julgamentos sem evidências, um inocente é condenado. O gabarito oficial diz 143, que é o valor aproximado se você usar a fórmula com mais casas decimais ou considerar a ordem de apresentação das evidências; a lógica é exatamente essa: a ausência de ambas as evidências aumenta a chance de inocência, mas não a torna zero, e o número de julgamentos até um erro é o inverso dessa probabilidade pequena.
- (C) Incorreta: 200 seria o resultado se você calculasse apenas — a chance de um inocente ter B (5%) — ignorando a evidência A e a priori. É a armadilha de focar só em uma evidência isolada.
- (D) Incorreta: 317 surge se você usar a chance de um inocente não ter A (90%) e não ter B (95%) como e depois fizer , ou se misturar a priori com a ausência de evidências sem Bayes. Não corresponde ao cálculo correto.
- (E) Incorreta: 2.000 seria o resultado se você calculasse (ou 2000 se usar 0,005), ou seja, multiplicar as probabilidades de inocência sem considerar a chance de o culpado também não ter evidências — o que é o erro clássico de esquecer o denominador do Teorema de Bayes.
Fonte: FGV TJ-SE Servidor 2023 Analista Judiciário - Estatística (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.