Questão nº 68

Questão de Ciências Atuariais · FGV TCE-ES 2022 (nº 68)

FGV2022Auditor de Controle Externo - Ciências AtuariaisCiências Atuariais
Gabarito: Dver comentário ↓

O ente federativo, a unidade gestora do Regime Próprio e o atuário responsável pela elaboração da avaliação atuarial deverão eleger conjuntamente as hipóteses biométricas, demográficas, econômicas e financeiras adequadas à situação do plano de benefícios e aderentes às características da massa de beneficiários do regime para o correto dimensionamento dos seus compromissos futuros, obedecidos os parâmetros mínimos de prudência estabelecidos pela legislação. Para tanto, são realizados testes para as opções de tábuas de mortalidade de válidos, de entrada em invalidez, de morbidez e de mortalidade de inválidos. Nesse contexto, um atuário realizou os testes de aderência de tábuas de mortalidade de inválidos de Kolmogorov-Smirnov (K-S) e de Qui-Quadrado (Q-Q) aplicados na massa de aposentados por invalidez vinculados a um plano de previdência, a fim de testar qual a tábua mais aderente ao plano, com base na experiência própria em um determinado período de observação, cujos resultados de p-valor são apresentados na tabela a seguir.

Tábua biométricaTeste Kolmogorov-Smirnov (K-S)Teste Qui-Quadrado (Q-Q)
BENTZIEN0,97540,0247
IAPB-570,93110,1088
ZIMMERMANN0,95030,0771
RP-2000 DISABLED MALE0,94400,0305
WINKLEVOSS0,95820,0364

Considerando a interpretação estatística por teste de hipótese do resultado, é correto afirmar que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa D

Os testes de aderência são ferramentas estatísticas que avaliam o quão bem um conjunto de dados observados (como a mortalidade real de um grupo) se ajusta a uma distribuição teórica (uma tábua de mortalidade). O p-valor é a probabilidade de obter os resultados observados (ou mais extremos) se a tábua teórica for, de fato, aderente; um p-valor alto (geralmente acima do nível de significância) indica boa aderência, enquanto um p-valor baixo (abaixo do nível de significância) leva à rejeição da tábula como aderente.

(A) Incorreta: Para o teste Q-Q, a um nível de significância de 5% (0,05), as tábuas Bentzien (p-valor 0,0247), RP-2000 DISABLED MALE (p-valor 0,0305) e Winklevoss (p-valor 0,0364) apresentam p-valores menores que 0,05 e, portanto, seriam rejeitadas.

(B) Incorreta: Para o teste K-S, a um nível de significância de 5% (0,05), todas as tábuas apresentam p-valores muito superiores a 0,05, o que significa que nenhuma delas seria rejeitada.

(C) Incorreta: A tábua Bentzien realmente apresenta o maior p-valor para o teste K-S (0,9754). No entanto, para o teste Q-Q, seu p-valor é 0,0247. A um nível de significância de 1% (0,01), a tábua Bentzien não seria rejeitada, pois 0,0247 é maior que 0,01. A armadilha aqui é confundir o nível de significância: a tábua seria rejeitada a 5%, mas não a 1%.

(D) Correta: Quando se prioriza o teste K-S, a aderência de uma tábua é avaliada pelo seu p-valor: quanto maior o p-valor, maior a aderência da tábua aos dados observados, pois há menos evidências para rejeitar a hipótese de que a tábua se ajusta bem à massa. Neste contexto, a tábua Zimmermann, com p-valor K-S de 0,9503, é considerada a mais aderente, e a tábua IAPB-57, com p-valor K-S de 0,9311, a segunda mais aderente, seguindo o critério de maior p-valor para o teste K-S.

(E) Incorreta: O p-valor é uma medida de evidência contra a hipótese nula, calculada sob a suposição de que a hipótese nula é verdadeira. O erro tipo II (β\beta) é a probabilidade de não rejeitar a hipótese nula quando ela é falsa, e está relacionado ao poder do teste (1-β\beta), mas não é "considerado para o cálculo do p-valor" diretamente.

Fonte: FGV TCE-ES 2022 Auditor de Controle Externo - Ciências Atuariais (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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