Questão nº 40
Questão de Administração Pública · FGV SEE-MG 2023 (nº 40)
Suponha que, em uma situação hipotética, um gestor público, verificando a existência de equipamentos ociosos no órgão público em que trabalha, resolva pegar emprestado um desses equipamentos para usar na obra que está fazendo em sua casa. Além disso, convoca alguns dos servidores do órgão para, em horário de trabalho, auxiliarem na execução da obra.
Com relação à situação apresentada, no que concerne à Lei nº 8.429/92, com redação dada pela Lei nº 14.230/2021, que dispõe sobre a improbidade administrativa, é correto afirmar que o gestor
- Apraticou ato ímprobo que importa no enriquecimento ilícito. (alternativa correta)
- Bcometeu conduta de lesão ao erário, não constituindo ato de improbidade.
- Cpode ser punido por ato de improbidade ainda que tenha atuado de forma culposa.
- Dpode sofrer pena de multa de até 24 vezes o valor de sua remuneração.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
A improbidade administrativa é um ato ilegal cometido por um agente público que usa sua função para obter vantagens indevidas, causar prejuízo ao patrimônio público ou violar princípios da administração, sempre com intenção (dolo).
- (A) Correta: O gestor utilizou equipamentos e servidores públicos para benefício próprio (obra em sua casa), o que configura enriquecimento ilícito. Ele obteve uma vantagem patrimonial indevida, pois evitou gastos que teria se contratasse os serviços e equipamentos por conta própria. Isso está tipificado no Art. 9º, inciso IV, da Lei nº 8.429/92, que considera ato de improbidade importando em enriquecimento ilícito "utilizar, em obra ou serviço particular, veículos, máquinas, equipamentos ou material de qualquer natureza, de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. 1º desta Lei, bem como o trabalho de servidores públicos".
- (B) Incorreta: Embora a conduta também cause lesão ao erário (prejuízo ao patrimônio público pelo uso indevido de equipamentos e desvio de função dos servidores), a principal e mais direta classificação para a vantagem pessoal obtida pelo gestor é o enriquecimento ilícito. Além disso, a afirmação de que "não constitui ato de improbidade" está errada, pois é claramente um ato ímprobo. A armadilha aqui é que, de fato, há lesão ao erário, mas a conduta do gestor se encaixa perfeitamente na definição de enriquecimento ilícito, que é a categoria mais específica e grave para o benefício pessoal obtido.
- (C) Incorreta: Com a Lei nº 14.230/2021, a improbidade administrativa exige dolo (intenção) em todas as suas modalidades (enriquecimento ilícito, lesão ao erário e violação de princípios). A atuação culposa (por negligência, imprudência ou imperícia) não configura mais ato de improbidade. No caso, o gestor agiu com clara intenção de se beneficiar.
- (D) Incorreta: A pena de multa de até 24 vezes o valor da remuneração é aplicada para atos que atentam contra os princípios da administração pública (Art. 11 da Lei 8.429/92). Para atos de enriquecimento ilícito (Art. 9º), a multa civil é equivalente ao valor do acréscimo patrimonial ilícito, conforme o Art. 12, inciso I, da mesma lei.
Fonte: FGV SEE-MG 2023 Técnico-Administrativo (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.