Questão nº 40
Questão de Medicina - Medicina Fetal · FGV FHEMIG 2023 (nº 40)
Gestante com 32 semanas realiza ultrassonografia obstétrica, sendo encontrado feto sem alterações morfológicas, com normodramnia e com peso estimado no percentil 1,5.
Ao Doppler da artéria umbilical tem o índice de pulsatilidade (IP) acima do percentil 95 e a relação cerebroplacentária no percentil 2.
Nesse caso, assinale a opção que indica a conduta mais adequada.
- AAguardar até 34 semanas e realizar cesariana.
- BMonitoramento semanal com ultrassonografia e Doppler. (alternativa correta)
- CAntecipação imediata do parto por cesariana.
- DAntecipação imediata do parto por indução.
- EFazer corticoide e sulfato de magnésio para neuroproteção.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é a Restrição de Crescimento Fetal (RCF), que acontece quando o bebê não cresce como esperado no útero. Quando o ultrassom Doppler mostra alterações no fluxo sanguíneo (como na artéria umbilical ou na relação cerebroplacentária), significa que a placenta não está funcionando bem e o bebê pode estar sofrendo. A conduta depende da idade gestacional e da gravidade dessas alterações.
- (A) Incorreta: Aguardar um tempo fixo sem monitoramento intensivo pode ser perigoso, pois a condição fetal pode piorar rapidamente. A decisão de parto não é baseada apenas na idade gestacional, mas na avaliação contínua do bem-estar fetal.
- (B) Correta: Com 32 semanas, RCF grave e alterações de Doppler (IP da artéria umbilical elevado e relação cerebroplacentária baixa, indicando "brain sparing"), o feto está comprometido, mas não em sofrimento agudo que exija parto imediato. A conduta mais adequada é o monitoramento rigoroso e frequente (semanal ou até mais frequente, dependendo da evolução) com ultrassonografia e Doppler para identificar o momento ideal do parto, minimizando os riscos da prematuridade e do sofrimento fetal. Durante esse período, seriam administrados corticoides para maturação pulmonar e sulfato de magnésio para neuroproteção, caso o parto se torne iminente.
- (C) Incorreta: A antecipação imediata do parto por cesariana é reservada para casos de sofrimento fetal mais grave e iminente, como fluxo diastólico final ausente ou reverso na artéria umbilical, alterações graves no ducto venoso ou cardiotocografia não tranquilizadora. Embora os achados sejam preocupantes, eles não indicam uma emergência obstétrica imediata que justifique o parto a 32 semanas sem um período de vigilância. A armadilha aqui é a tentação de intervir imediatamente diante de achados anormais, sem considerar o risco da prematuridade.
- (D) Incorreta: Pelo mesmo motivo da alternativa C, o parto imediato não é a conduta inicial. Além disso, a indução do parto pode ser mais estressante para um feto já comprometido pela RCF e insuficiência placentária, sendo a cesariana frequentemente preferível em situações de urgência.
- (E) Incorreta: Corticoide e sulfato de magnésio são medicamentos importantes para preparar o feto para um parto prematuro (maturação pulmonar e neuroproteção, respectivamente), mas eles não são a conduta principal para o manejo da RCF. Eles seriam administrados durante o período de monitoramento, se o parto for antecipado, mas não representam a estratégia de manejo da doença em si.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Medicina Fetal (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.