Questão nº 39
Questão de Medicina de Emergência · FGV FHEMIG 2023 (nº 39)
Paciente do sexo feminino, 70 anos, dá entrada no Pronto-Socorro com o relato de ter aferido a pressão arterial em casa e ela estar alta. Refere ter passado por situação estressante há uma hora e ainda ter má-aderência à medicação anti-hipertensiva.
À admissão, PA 170x98mmHg, sem outros sintomas e sem alterações de exame clínico.
Com relação a essa paciente, assinale a afirmativa correta.
- ATrata-se de uma emergência hipertensiva – paciente deve ser admitida na sala de emergência imediatamente e há indicação de iniciar nitroprussiato intravenoso.
- BTrata-se de uma urgência hipertensiva – paciente pode ser manejada na sala de medicação do Pronto-Socorro e reavaliada. Realizar hidralazina em bolus intravenosa.
- CTrata-se de uma urgência hipertensiva – mandatória coleta de exames laboratoriais de lesão de órgão-alvo e de realização de fundoscopia. Realizar captopril sublingual.
- DNão há urgência nem emergência hipertensiva – realizar nifedipino sublingual, visando à PA < 140x90mmHg e orientar procurar cardiologista.
- ENão há urgência nem emergência hipertensiva – pode-se realizar medicação anti-hipertensiva oral com efeito ansiolítico, como clonidina. Orientar melhor controle pressórico e retorno breve em médico da família. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
A distinção entre urgência e emergência hipertensiva é crucial e se baseia na presença ou ausência de lesão aguda de órgão-alvo. Se a pressão arterial (PA) está muito alta (geralmente acima de 180/120 mmHg) e há sinais ou sintomas de dano a órgãos vitais (como AVC, infarto, edema pulmonar), é uma emergência hipertensiva e requer tratamento imediato com medicação intravenosa. Se a PA está muito alta, mas sem lesão de órgão-alvo, é uma urgência hipertensiva, e o tratamento pode ser mais gradual, com medicação oral. No caso da paciente, a PA de 170x98 mmHg, sem sintomas e sem alterações ao exame, não se encaixa nos critérios de crise hipertensiva (urgência ou emergência).
- (A) Incorreta: A PA de 170x98 mmHg não atinge os níveis típicos de emergência hipertensiva (>180/120 mmHg), e, mais importante, não há lesão de órgão-alvo. Nitroprussiato IV é para emergências graves.
- (B) Incorreta: A PA de 170x98 mmHg não se enquadra como urgência hipertensiva (que geralmente exige PA >180/120 mmHg sem lesão de órgão-alvo). Hidralazina IV em bolus não é indicada para elevações assintomáticas.
- (C) Incorreta: (Armadilha da banca) A PA de 170x98 mmHg, sem sintomas ou sinais de lesão de órgão-alvo, não configura uma urgência hipertensiva. Portanto, a coleta mandatória de exames para lesão de órgão-alvo e fundoscopia não é apropriada neste cenário. Além disso, o uso de captopril sublingual é desencorajado devido à imprevisibilidade da queda pressórica e risco de isquemia.
- (D) Incorreta: Embora a primeira parte ("Não há urgência nem emergência hipertensiva") esteja correta, o nifedipino sublingual é contraindicado devido ao risco de quedas rápidas e imprevisíveis da PA, podendo causar eventos isquêmicos.
- (E) Correta: A PA de 170x98 mmHg, sem sintomas e sem sinais de lesão de órgão-alvo, não é uma urgência nem emergência hipertensiva. É uma elevação assintomática da PA, muitas vezes relacionada a estresse ou má adesão. O tratamento visa acalmar o paciente e reduzir a PA gradualmente com medicação oral, como a clonidina (que tem efeito ansiolítico), e orientar o controle pressórico a longo prazo.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Medicina de emergência (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.