Questão nº 36
Questão de Medicina de Emergência · FGV FHEMIG 2023 (nº 36)
Paciente de 65 anos do sexo masculino dá entrada na sala de emergência de hospital secundário com dor torácica intensa, sendo diagnosticado com síndrome coronariana aguda com supradesnivelamento de segmento-ST.
Como não há hemodinâmica disponível no hospital e nem nos arredores, optou-se por realização de trombólise química com alteplase.
Com relação à utilização do segundo antiagregante nesse processo, em associação ao ácido acetilsalicílico (AAS), assinale a afirmativa correta.
- ANão se deve utilizar segundo antiagregante pois aumenta a mortalidade por sangramentos em caso de trombólise.
- BDeve-se utilizar obrigatoriamente o clopidogrel. (alternativa correta)
- CDeve-se utilizar preferencialmente o prasugrel, caso disponível.
- DDeve-se utilizar preferencialmente o ticagrelor, caso disponível.
- EDeve-se utilizar preferencialmente o cangrelor, caso disponível.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
Após um infarto agudo do miocárdio (IAM) com supradesnivelamento do segmento ST tratado com medicamentos para dissolver o coágulo (trombólise), é fundamental usar dois tipos de medicamentos para afinar o sangue (antiplaquetários) para prevenir a formação de novos coágulos. Além do ácido acetilsalicílico (AAS), o clopidogrel é o antiplaquetário P2Y12 de escolha nesse cenário.
(A) Incorreta: A utilização de um segundo antiagregante (terapia antiplaquetária dupla) é fundamental após trombólise para reduzir a ocorrência de reoclusão e eventos isquêmicos, apesar do aumento do risco de sangramento. O benefício supera o risco na maioria dos pacientes.
(B) Correta: Para pacientes submetidos à trombólise no IAM com supra de ST, o clopidogrel é o antiagregante P2Y12 recomendado em associação ao AAS. Os estudos demonstraram benefício com clopidogrel nesse cenário (ex: COMMIT/CCS-2), e os inibidores P2Y12 mais potentes (prasugrel, ticagrelor) são geralmente contraindicados ou não recomendados na fase inicial pós-trombólise devido ao risco aumentado de sangramento, especialmente hemorragia intracraniana.
(C) Incorreta: O prasugrel é um antiagregante mais potente e, embora seja preferencial em pacientes submetidos à intervenção coronariana percutânea (ICP) primária, é contraindicado ou não recomendado após trombólise devido ao risco significativamente elevado de sangramento, sem evidência de benefício superior nesse contexto. A armadilha da banca é que o prasugrel (e ticagrelor) são preferidos em outros cenários de IAM (como na ICP primária), mas não após trombólise.
(D) Incorreta: O ticagrelor também é um antiagregante mais potente e, assim como o prasugrel, não é recomendado para uso rotineiro após trombólise devido ao maior risco de sangramento em comparação com o clopidogrel.
(E) Incorreta: O cangrelor é um inibidor P2Y12 intravenoso de ação ultrarrápida, utilizado principalmente no contexto da ICP como ponte ou durante o procedimento, não sendo o antiagregante oral de escolha para o tratamento crônico pós-trombólise.
Fonte: FGV FHEMIG 2023 Medicina de emergência (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.