Questão nº 35
Questão de Planejamento da Geração de Energia · FGV EPE 2024 (nº 35)
No planejamento energético brasileiro, foram levados em consideração fatores socioeconômicos, demográficos, econômicos, ambientais, técnicos e financeiros.
Com base nos estudos recentes relacionados ao tema, analise as afirmativas a seguir.
I. A participação percentual das fontes renováveis, calculada com base na oferta interna de energia (OIE), variou positivamente entre os anos de 2014 e 2023, ficando próximo de 50% da OIE em 2023.
II. Considerando-se um horizonte até 2050, a disponibilidade total de recursos energéticos (potencial energético) mostra-se insuficiente para atender à demanda total de energia. O planejamento deverá focar na administração da escassez de recursos energéticos, reduzindo as perdas elétricas na geração, na transmissão e na distribuição.
III. A expansão hidrelétrica está atrelada a questões socioambientais, visto que a maior parte do potencial hidrelétrico prospectado no horizonte de 50 anos apresenta algum tipo de sobreposição a áreas legalmente protegidas do território nacional.
Está correto o que se afirma em
- AI, apenas. (alternativa correta)
- BIII, apenas.
- CI e III, apenas.
- DII e III, apenas.
- EI, II e III.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa A
O conceito-chave aqui é entender que a Oferta Interna de Energia (OIE) é a quantidade total de energia necessária para movimentar o país (soma de tudo que é produzido e importado, menos o que é exportado e estocado). A questão testa se você sabe o que os estudos do Plano Nacional de Energia (PNE) realmente afirmam sobre o futuro, e não o que parece "logicamente" correto. O erro clássico é achar que o Brasil vai sofrer com escassez de recursos ou que todo potencial hidrelétrico está em áreas de proteção, quando os estudos oficiais dizem o contrário.
- (A) Correta: A afirmativa I é verdadeira e é o gabarito, pois a participação das renováveis na OIE brasileira cresceu entre 2014 e 2023, chegando a aproximadamente 47-49% em 2023 (próximo de 50%), graças ao aumento da geração eólica e solar.
- (B) Incorreta: A afirmativa II é falsa, pois o PNE 2050 indica que o potencial energético total é suficiente para atender à demanda projetada; o desafio não é a escassez física, mas sim a escolha eficiente das fontes e a redução de perdas, que são ações de melhoria, não de "administração da escassez".
- (C) Incorreta: A afirmativa III é falsa, pois embora existam sobreposições com áreas protegidas, o potencial hidrelétrico prospectado para 50 anos não tem a "maior parte" sobreposta; a maior parte do potencial viável está fora dessas áreas, e os estudos apontam que a expansão futura será focada em usinas a fio d'água e em outras fontes, justamente para minimizar esse conflito.
- (D) Incorreta: Esta alternativa junta as afirmativas II e III, que são ambas falsas, como explicado acima.
- (E) Incorreta: Esta alternativa junta as afirmativas I, II e III, mas como II e III são falsas, não pode ser a resposta.
Armadilha da banca (no distrator D): A banca tenta te convencer de que o planejamento energético é um "jogo de escassez" e que a hidrelétrica está "toda" travada por questões ambientais. Isso parece plausível, mas os estudos oficiais mostram o oposto: há recursos abundantes e o problema é de otimização e custo-benefício, não de falta de energia. Lembre-se: o Brasil é um país com enorme potencial renovável ainda inexplorado, então "escassez total" é um conceito errado para o nosso caso.
Fonte: FGV EPE 2024 Analista de Pesquisa Energética - Planejamento da Geração de Energia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.