Questão nº 44

Questão de Administração Pública · FGV CVM 2024 (nº 44)

FGV2024Analista CVM - Gestão (Perfil 5)Administração Pública
Gabarito: Bver comentário ↓

Pedro, analista da Comissão de Valores Mobiliários, no exercício da função, praticou ato ilícito que, com o comprovado nexo causal, resultou em danos morais e materiais ao administrado Antônio, sem a incidência de quaisquer causas de excludente de responsabilidade civil.
No caso em tela, de acordo com a jurisprudência dos tribunais superiores, Pedro deve direcionar ação indenizatória em face de(a):

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

A responsabilidade civil do Estado no Brasil é, em regra, objetiva, significando que a vítima de um dano causado por um agente público só precisa provar o ato, o dano e o nexo causal (ligação entre o ato e o dano), sem precisar demonstrar culpa ou dolo do agente. A ação indenizatória deve ser direcionada contra a pessoa jurídica de direito público (o Estado ou suas autarquias/fundações), e não diretamente contra o agente.

  • (A) Incorreta: A vítima não pode acionar o agente público diretamente; a ação deve ser contra a pessoa jurídica à qual ele está vinculado. A responsabilidade do agente perante a vítima não é objetiva, e sim subjetiva, e só é apurada em ação de regresso movida pela pessoa jurídica que indenizou a vítima.
  • (B) Correta: A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia federal, ou seja, uma pessoa jurídica de direito público. Conforme o Art. 37, § 6º, da Constituição Federal, as pessoas jurídicas de direito público respondem objetivamente pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros. A teoria da dupla garantia assegura que a vítima seja indenizada pelo Estado (responsabilidade objetiva) e que o agente público só seja acionado em regresso pelo Estado, após este ter pago a indenização, e com responsabilidade subjetiva (necessidade de comprovar culpa ou dolo do agente).
  • (C) Incorreta: Embora a União seja uma pessoa jurídica de direito público e sua responsabilidade seja objetiva, a CVM possui personalidade jurídica própria e autonomia administrativa e financeira. A ação deve ser proposta contra a pessoa jurídica diretamente responsável pelo agente, que neste caso é a CVM, e não a União.
  • (D) Incorreta: A primeira parte está correta (CVM, responsabilidade objetiva). No entanto, a afirmação de que "é inviável qualquer responsabilidade civil da União por ato lícito de seus agentes" está errada. O Estado (incluindo a União) pode ser responsabilizado por danos decorrentes de atos lícitos, especialmente quando há sacrifício de interesse individual em prol da coletividade (ex: desapropriação indireta).
  • (E) Incorreta: A União não é a entidade correta a ser acionada, e a responsabilidade do Estado (ou de suas autarquias) é objetiva, não subjetiva. A necessidade de comprovar culpa ou dolo é para a ação de regresso contra o agente, não para a ação da vítima contra o Estado. A parte final sobre atos lícitos também está incorreta.

Fonte: FGV CVM 2024 Analista CVM - Gestão (Perfil 5) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho