Questão nº 5

Questão de Direito Individual do Trabalho · FGV CSJT 2023 (nº 5)

FGV2023Juiz do Trabalho SubstitutoDireito Individual do Trabalho
Gabarito: Bver comentário ↓

Determinada empresa, que contava com vinte empregados lotados em cargos distintos, desenvolvia há muitos anos certa atividade de exploração de dado tipo de minério, que veio a ser considerada ilícita por hipotética lei federal.
Em decorrência da nova lei, a empresa despediu os trabalhadores e determinou que procurassem seus direitos junto ao poder público.
Considerando a situação exposta e o que expressamente dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho quanto ao exame da responsabilidade pelas indenizações acaso devidas pelas terminações contratuais:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O Fato do Príncipe ocorre quando uma autoridade pública (governo) impede ou paralisa a atividade de uma empresa por meio de um ato legal (como uma lei), levando à demissão de empregados, e a responsabilidade pelas indenizações trabalhistas pode ser transferida para o poder público. Já a Força Maior é um evento inevitável e imprevisível da natureza (como um desastre natural) que impede a continuação da atividade, e a empresa ainda é responsável pelas indenizações, mas estas podem ser reduzidas pela metade.

  • (A) Incorreta: O Art. 486 da CLT expressamente inclui a "promulgação de lei ou resolução" como causa de Fato do Príncipe, não se limitando a atos administrativos.
  • (B) Correta: Esta alternativa descreve perfeitamente o conceito de Fato do Príncipe conforme o Art. 486 da CLT, que prevê que a promulgação de lei que impossibilite a atividade transfere a responsabilidade pelas indenizações ao governo responsável.
  • (C) Incorreta: Esta é a armadilha mais tentadora. A hipótese não caracteriza Força Maior, mas sim Fato do Príncipe, pois a paralisação decorre de um ato de autoridade pública (uma lei), e não de um evento natural. No Fato do Príncipe, a responsabilidade não é da empresa, mas do poder público, e não se trata de indenização pela metade paga pela empresa.
  • (D) Incorreta: Embora o risco do negócio seja do empregador, o Fato do Príncipe é uma das exceções expressas na CLT (Art. 486) onde a responsabilidade pelas indenizações é transferida para o poder público, e não exclusivamente do empregador.
  • (E) Incorreta: A promulgação de uma nova lei que torna uma atividade ilícita é, para fins de Fato do Príncipe, considerada um evento imprevisível e externo ao risco normal do negócio, transferindo a responsabilidade para o poder público, e não para a empresa integralmente.

Fonte: FGV CSJT 2023 Juiz do Trabalho Substituto (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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