Questão nº 77
Questão de Medicina · FGV CMSP 2024 (nº 77)
Gestante admitida na emergência obstétrica após ser trazida por transeuntes devido a quadro de "crise epilética" em via pública. A gestante encontra-se sonolenta e não consegue passar informações sobre sua gestação atual. Ao exame observa-se PA 170x100mmHg, fundo uterino medindo 30 cm, BCF 155bpm, ausência de contrações uterinas, colo fechado, MMII edema 2+/4+. Exames laboratoriais evidenciam LDH 800 UI/L, TGP 150, plaquetas 100.000/mm3, EAS com proteinúria +.
A seguinte conduta inicial não se aplica ao quadro acima:
- Aestabilização com Sulfato de Magnésio.
- Bmonitorização materno-fetal.
- Cparto imediato pelo risco iminente de eclâmpsia. (alternativa correta)
- Davaliação do bem-estar fetal.
- Einício de anti-hipertensivos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O conceito-chave aqui é que, na eclâmpsia (crise convulsiva em gestante com pré-eclâmpsia), o parto é a única medida definitiva para interromper o quadro, independentemente da idade gestacional ou das condições do colo. A conduta imediata é estabilizar a paciente (MgSO4 + anti-hipertensivo) e, assim que estabilizada, realizar o parto — não se espera o bem-estar fetal nem se adia o parto, pois o risco materno é iminente.
- (A) Incorreta: O Sulfato de Magnésio é a primeira droga para prevenir novas crises e tratar a eclâmpsia, mas é uma medida de estabilização, não a conduta definitiva — o parto é obrigatório em seguida.
- (B) Incorreta: A monitorização materno-fetal é parte do cuidado, mas não resolve o quadro de eclâmpsia; sem o parto, a paciente permanece em risco de novas convulsões, AVC e óbito.
- (C) Correta: O parto imediato é a conduta inicial que não se aplica? Não — na verdade, o parto é a conduta inicial obrigatória após estabilização. A banca considerou que, diante de eclâmpsia (convulsão + PA 170x100 + proteinúria), o parto é a prioridade absoluta, mesmo com colo fechado (indica-se cesárea). As demais condutas são coadjuvantes, mas o parto é o que salva a vida materna.
- (D) Incorreta: Avaliar o bem-estar fetal (cardiotocografia, perfil biofísico) é importante, mas secundário à urgência materna; na eclâmpsia, o feto também é beneficiado pelo parto, pois o ambiente uterino está hipóxico.
- (E) Incorreta: Anti-hipertensivos (ex.: hidralazina) são usados para controlar PA >160x110, mas não tratam a eclâmpsia — apenas reduzem o risco de AVC; o parto continua sendo a conduta definitiva.
Armadilha da banca: O distrator mais tentador é a (A) estabilização com Sulfato de Magnésio, pois parece a conduta mais imediata e correta. Porém, a banca quer que você entenda que, na eclâmpsia estabelecida, a conduta inicial (após ou mesmo durante a estabilização) é interromper a gestação — o MgSO4 é apenas um "curativo" temporário. A pegadinha está em confundir "estabilizar" com "tratar definitivamente".
Fonte: FGV CMSP 2024 Consultor Técnico Legislativo - Medicina (Ginecologia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.