Questão nº 57

Questão de Medicina · FGV CMSP 2024 (nº 57)

FGV2024Consultor Técnico Legislativo - Medicina (Ginecologia)Medicina
Gabarito: Bver comentário ↓

Mulher, 37 anos, admitida em unidade de emergência com queixa de "sangramento vaginal há 30 dias". Apresenta-se lúcida e orientada, hipocorada (++/4+), hipotensa e taquicárdica. Nega comorbidades ou uso de medicamentos.
Assinale a opção que apresenta a abordagem inicial para o quadro.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave é: em sangramento uterino anormal (SUA) agudo, a prioridade é sempre estabilizar a paciente e excluir gravidez (causa mais comum e potencialmente fatal) antes de qualquer exame complementar invasivo ou tardio. A avaliação ginecológica (especular + toque) é parte da propedêutica inicial, não algo a ser adiado.

  • (A) Incorreta: A armadilha está em "exame ginecológico após cessar o sangramento" — isso atrasa o diagnóstico de lesões locais (pólipo, laceração, câncer) e não exclui gravidez ectópica rota, que exige intervenção imediata. Além disso, coagulograma não é rotina inicial em SUA sem suspeita de coagulopatia.
  • (B) Correta: É o gabarito porque segue a sequência lógica: estabilizar (sinais vitais) → avaliar anemia (hematimétrico) → excluir gestação (β-hCG) → anamnese e exame físico completo (incluindo especular e toque) → só então, conforme achados, solicitar imagem ou outros exames. Exame especular e toque são obrigatórios na primeira avaliação para identificar sangramento de origem cervical/vaginal ou uterina.
  • (C) Incorreta: Inclui glicemia e coagulograma sem indicação clínica (paciente nega comorbidades, sem sinais de coagulopatia). Isso gera custo e atraso desnecessários, desviando o foco da tríade: estabilidade, hemograma e β-hCG.
  • (D) Incorreta: Repete o erro de adiar o exame ginecológico ("após cessar o sangramento") e ainda solicita ultrassom transvaginal de rotina, que não é necessário na abordagem inicial — ele é complementar, guiado pelos achados do exame físico e da suspeita clínica.
  • (E) Incorreta: A pegadinha aqui é a histeroscopia diagnóstica — exame de segundo nível (eletivo, para investigar causa estrutural após estabilização), jamais na emergência. Além disso, a opção omite o coagulograma, mas o erro principal é a indicação inadequada do procedimento invasivo.

Fonte: FGV CMSP 2024 Consultor Técnico Legislativo - Medicina (Ginecologia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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