Questão nº 73

Questão de Finanças · FGV CGU 2021 - Tarde (nº 73)

FGV2021Auditor Federal de Finanças e Controle - Área Contabilidade Pública e FinançasFinanças
Gabarito: Cver comentário ↓

Uma sociedade empresária, que utiliza capital de terceiros proveniente de bancos, projeta o fluxo de caixa livre ao acionista que deverá ser gerado por meio de um investimento que visa a trocar um ativo imobilizado por outro mais produtivo.

Para o cálculo correto do Valor Presente Líquido (VPL) desse projeto, a sociedade empresária deverá descontar esses fluxos futuros pelo(a):

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave é: o Fluxo de Caixa Livre ao Acionista (FCLA) representa o dinheiro que sobra para os donos do negócio (os acionistas) depois de pagar todas as despesas, impostos, reinvestimentos e também depois de pagar os empréstimos (juros e principal) aos bancos. Como esse fluxo é exclusivo dos acionistas, ele deve ser descontado pela taxa que reflete o risco e o retorno exigido por eles: o custo de capital próprio. Usar outra taxa misturaria o "bolo" de quem recebe o dinheiro.

  • (A) Incorreta: O custo médio ponderado de capital (CMPC) é a taxa média de retorno exigida por TODOS os financiadores (bancos + acionistas). Ele é usado para descontar o Fluxo de Caixa Livre da Firma (FCFF), que é o fluxo gerado antes do pagamento dos bancos. Como o FCLA já está "limpo" da dívida, usar o CMPC (que inclui o custo da dívida) causaria dupla contagem do risco e do custo dos empréstimos.
  • (B) Incorreta: O custo de capital de terceiros (juros dos bancos) já foi descontado do FCLA quando calculamos o fluxo (pagamos os juros e o principal). Descontar o fluxo do acionista por essa taxa seria um erro lógico, pois a taxa se refere ao custo de um recurso que já não faz parte do fluxo.
  • (C) Correta: O custo de capital próprio (também chamado de taxa de retorno exigida pelos acionistas, ou KeKe) é a taxa correta. Ele reflete o risco do acionista, que é o último a receber em caso de falência e, portanto, exige um retorno maior. O FCLA é o "dividendo potencial" do acionista, então o valor presente desse fluxo deve ser calculado com a taxa que ele espera ganhar.
  • (D) Incorreta: A depreciação não é uma taxa de desconto, mas uma despesa contábil (não-caixa) que reduz o lucro tributável. Ela é somada de volta no cálculo do fluxo de caixa, mas nunca serve para descontar fluxos futuros.
  • (E) Incorreta: A inflação é um componente que pode estar embutido nas taxas de desconto (taxa nominal) ou nos fluxos de caixa, mas não é a taxa de desconto em si. Descontar um fluxo por ela ignoraria o risco do negócio e o custo de oportunidade do capital.

Fonte: FGV CGU 2021 - Tarde Auditor Federal de Finanças e Controle - Área Contabilidade Pública e Finanças (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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