Questão nº 43
Questão de Auditoria Governamental · FGV CGU 2021 - Tarde (nº 43)
Determinada Unidade de Auditoria Interna Governamental (UAIG) tem prevista, em seu Plano de Auditoria Interna, a realização de uma avaliação de conformidade em um objeto complexo e pouco conhecido por seus auditores internos. Há na UAIG uma auditora que ingressou na unidade há seis meses e, antes disso, trabalhava na unidade auditada e auxiliava na execução das atividades compreendidas no objeto da auditoria prevista. A auditora, portanto, apesar de ser inexperiente em auditoria, sabe como os processos de trabalho são executados na unidade auditada e tem sua própria convicção sobre quais são os principais problemas naquele setor.
A auditora em questão deve:
- Acaso seja designada para compor a equipe de auditoria, deixar de participar das reuniões com os gestores;
- Bsolicitar ao responsável pela UAIG a inclusão do seu nome na equipe de auditoria, pois detém os requisitos de proficiência necessários;
- Cser designada coordenadora da equipe de auditoria, pois conhece os responsáveis pelo objeto auditado, o que facilitará a comunicação;
- Dcaso não seja designada para compor a equipe de auditoria, evitar repassar aos membros da equipe seus conhecimentos sobre o objeto auditado;
- Ecaso seja designada para compor a equipe de auditoria, declarar-se impedida para o trabalho ou, em caso de dúvida, buscar orientação junto ao supervisor ou à comissão de ética. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: O auditor interno não pode auditar aquilo que ele mesmo ajudou a fazer ou sobre o qual já tem opinião formada, pois isso quebra a imparcialidade e a objetividade — pilares da ética na auditoria governamental. Mesmo que a auditora tenha conhecimento técnico, o vínculo anterior com o objeto auditado a torna impedida (conflito de interesse real ou aparente).
- (A) Incorreta: A simples ausência em reuniões com gestores não elimina o conflito de interesse; ela ainda influenciaria o planejamento, a execução e a conclusão dos trabalhos, além de quebrar a independência da equipe.
- (B) Incorreta: A proficiência técnica (saber como o processo funciona) não supera o impedimento ético; na verdade, o conhecimento prévio e a convicção sobre os problemas do setor reforçam o viés, tornando-a não objetiva para aquela auditoria.
- (C) Incorreta: Ser coordenadora agravaria o problema, pois ela teria ainda mais poder de direcionar os achados conforme sua visão prévia; facilidade de comunicação não justifica violar a independência.
- (D) Incorreta: O dever de não se aproveitar do conhecimento interno não é o ponto central; se ela não for designada, pode e deve compartilhar informações factuais (sem juízo de valor) para auxiliar a equipe, desde que não participe das conclusões — mas o correto é declarar o impedimento antes de qualquer designação.
- (E) Correta: A auditora deve declarar-se impedida imediatamente, pois trabalhou na unidade auditada nos últimos 6 meses e auxiliou na execução do objeto auditado (conflito de interesse). Se houver dúvida sobre a caracterização do impedimento, ela deve buscar orientação formal do supervisor ou da comissão de ética, conforme os princípios de independência da auditoria interna governamental.
Armadilha da banca (no distrator B): A pegadinha está em confundir competência técnica com independência. A banca tenta fazer o aluno achar que "quem conhece o processo é o mais apto", mas a ética exige que o auditor seja imparcial — e quem já opinou sobre os problemas do setor não consegue ser neutro. O conhecimento prévio, aqui, é um fator de impedimento, não uma qualificação.
Fonte: FGV CGU 2021 - Tarde Auditor Federal de Finanças e Controle - Área Contabilidade Pública e Finanças (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.