Questão nº 48
Questão de Auditoria Governamental · FGV CGU 2021 - Tarde (nº 48)
Uma entidade que constrói e opera ferrovias contratou a empresa X para avaliar seus bens imóveis. Já a empresa Y é especializada na publicação de informações sobre riscos do setor de infraestrutura e suas publicações foram consideradas pela entidade na elaboração das divulgações de risco.
O auditor considerou de grande importância os trabalhos dessas empresas para os propósitos da auditoria e, portanto, deve:
- Aconsiderar que as empresas X e Y são fontes de informações externas à entidade;
- Bconsiderar que a habilidade da empresa X pode ser ameaçada em decorrência de possível familiaridade com a entidade;
- Cconsiderar que a localização geográfica e a disponibilidade de tempo da empresa X para execução do contrato podem reduzir sua competência;
- Dobter entendimento do trabalho da empresa X e avaliar se as premissas e os métodos usados pela empresa são geralmente aceitos na área; (alternativa correta)
- Eavaliar a relevância e a confiabilidade das informações obtidas da empresa X, além da competência, habilidade e objetividade da empresa Y.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O conceito-chave aqui é: quando o auditor usa o trabalho de um especialista da administração (alguém contratado pela própria entidade auditada, como a empresa X), ele não pode simplesmente confiar no resultado. Ele precisa entender o trabalho do especialista e avaliar se os métodos e premissas são adequados e aceitos na área, para decidir se aquilo serve como evidência de auditoria. Já a empresa Y (que publica informações de mercado) é uma fonte externa de informação, e o auditor só precisa avaliar a relevância e confiabilidade dessas informações, sem o mesmo nível de escrutínio técnico.
- (A) Incorreta: A empresa X é um especialista da administração (contratado pela entidade), não uma "fonte externa" no sentido técnico da norma; a empresa Y sim é uma fonte externa de informações. A banca mistura os dois papéis para confundir.
- (B) Incorreta: A ameaça de familiaridade se aplica ao auditor (que pode ficar íntimo do cliente), não à empresa X, que é especialista contratada pela entidade. A norma trata da objetividade do especialista, não de "familiaridade" dele com a entidade.
- (C) Incorreta: Localização geográfica e disponibilidade de tempo afetam a praticidade do trabalho, mas não reduzem a competência técnica (que é conhecimento, habilidade e experiência). A norma separa esses fatores: competência é uma coisa, recursos logísticos são outra.
- (D) Correta: Exatamente o que a norma exige para o trabalho de um especialista da administração: o auditor deve obter entendimento do trabalho dele (natureza, escopo, objetivos) e avaliar a adequação dos métodos e premissas usados, verificando se são geralmente aceitos na área (ex.: normas de avaliação imobiliária). Só assim ele pode usar esse trabalho como evidência.
- (E) Incorreta: A banca inverte os papéis. Para a empresa X (especialista da administração), o auditor deve avaliar competência, capacidade e objetividade (não "habilidade", que é termo errado). Para a empresa Y (fonte externa), ele deve avaliar relevância e confiabilidade das informações. A alternativa mistura os critérios das duas, tornando-a falsa.
Armadilha da (E): Ela parece completa e técnica, mas mistura os requisitos. A norma exige que o auditor avalie "competência, capacidade e objetividade" do especialista (X) e "relevância e confiabilidade" das informações externas (Y). A alternativa troca "capacidade" por "habilidade" e aplica os critérios errados a cada empresa, fazendo o aluno que decorou termos genéricos cair na pegadinha.
Fonte: FGV CGU 2021 - Tarde Auditor Federal de Finanças e Controle - Área Contabilidade Pública e Finanças (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.