Questão nº 34

Questão de Direito Constitucional · FGV ALERJ 2016 (nº 34)

FGV2016ProcuradorDireito Constitucional
Gabarito: Bver comentário ↓

Em razão da eclosão de um grande escândalo relativo ao desvio de recursos públicos no Estado, foi instaurada, no âmbito da Assembleia Legislativa, comissão parlamentar de inquérito com o objetivo de apurar os fatos narrados. Entre outras medidas, foi deliberada: (a) a convocação do Governador do Estado para comparecer à Assembleia Legislativa e prestar esclarecimentos; (b) a quebra do sigilo fiscal dos envolvidos; (c) a determinação de interceptação telefônica de alguns servidores públicos estaduais; e (d) a decretação de indisponibilidade dos bens de dois servidores, cuja participação no esquema estava documentalmente comprovada.
À luz da sistemática constitucional, deve-se afirmar que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

Conceito-chave: CPI é instrumento de fiscalização do Legislativo, mas não tem poder jurisdicional (não julga nem pune) e não pode invadir direitos fundamentais além dos limites que a Constituição autoriza. Ela pode quebrar sigilo fiscal/bancário, mas não pode decretar prisão, interceptação telefônica (só juiz) nem indisponibilidade de bens (medida cautelar judicial).

  • (A) Incorreta: O Governador do Estado não pode ser convocado por CPI estadual para prestar esclarecimentos; ele pode ser convidado (comparecimento facultativo), pois a convocação obrigatória de Chefe do Executivo é vedada pela Constituição (aplicação do princípio da separação de poderes e da simetria com a CF/88, que só permite convocar autoridades administrativas, não o chefe do Executivo).
  • (B) Correta: A CPI tem poderes de investigação próprios de autoridade judicial, o que inclui a quebra de sigilo fiscal dos investigados, desde que fundamentada, por decisão da própria comissão, sem necessidade de autorização judicial prévia (STF consolidou esse entendimento).
  • (C) Incorreta: Interceptação telefônica é matéria de reserva de jurisdição: somente o juiz pode determiná-la (art. 5º, XII, CF/88). CPI não tem esse poder, mesmo que haja indícios fortes.
  • (D) Incorreta: Decretação de indisponibilidade de bens é medida cautelar de natureza jurisdicional (exige ação judicial e decisão do juiz). CPI pode requerer ao Ministério Público ou ao juiz, mas não pode decretar por conta própria.
  • (E) Incorreta: Como apenas a medida (b) é válida, a afirmação de que todas estão corretas é falsa.

Armadilha da banca (distrator mais tentador - letra D): O aluno lembra que CPI pode quebrar sigilo e acha que também pode interceptar telefone, pois ambos são "investigação". A pegadinha está em confundir "poderes de investigação" com "poderes jurisdicionais": a CPI pode quebrar sigilo (administrativo), mas não pode interceptar (reserva de juiz). A letra D junta a correta (b) com a incorreta (c), fazendo parecer plausível.

Fonte: FGV ALERJ 2016 Procurador (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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