Questão nº 22

Questão de Direito Administrativo · FGV ALERJ 2016 (nº 22)

FGV2016ProcuradorDireito Administrativo
Gabarito: Cver comentário ↓

Em matéria de responsabilidade do Procurador da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro que emitiu um parecer a pedido do Presidente da Casa, a doutrina de Direito Administrativo ensina que, em regra:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Conceito-chave: O parecer jurídico é um ato opinativo (não vinculante), ou seja, quem decide é a autoridade administrativa, não o parecerista. Por isso, em regra, o Procurador que emite o parecer não responde pelo ato final, a menos que tenha agido com dolo (intenção de prejudicar) ou erro grosseiro (falha técnica injustificável e evidente).

  • (A) Incorreta: O parecer não vincula a autoridade decisória; ela pode decidir de forma diversa. Logo, não há responsabilidade solidária automática do Procurador com o ato ilegal praticado pelo agente público.
  • (B) Incorreta: A responsabilidade do parecerista exige dolo ou erro grosseiro (culpa grave), e não "imperícia técnico-jurídica escusável" (que é desculpável, logo não gera responsabilidade).
  • (C) Correta: É exatamente a regra: o Procurador não é solidariamente responsável com o agente que decide, salvo se houver dolo ou erro grosseiro injustificável na sua atuação (culpa grave).
  • (D) Incorreta: A exceção à não responsabilização é o dolo ou erro grosseiro, e não "má-fé" genérica ou "opiniões minoritárias/contramajoritárias" (que são irrelevantes para a responsabilidade).
  • (E) Incorreta: O parecer é ato enunciativo (opinativo), não discricionário; e a autoridade tem liberdade de decidir, mas isso não torna o parecer um ato discricionário, pois ele não decide nada.

Pegadinha da banca na letra (B): A banca troca "erro grosseiro" por "imperícia escusável" (desculpável). O aluno que não domina o conceito acha que qualquer erro técnico gera responsabilidade, mas a lei exige erro grosseiro (falha grave, inescusável) ou dolo. A letra (B) usa um termo que parece técnico ("imperícia") para confundir, mas o adjetivo "escusável" (que pode ser perdoado) destrói a hipótese de responsabilização.

Fonte: FGV ALERJ 2016 Procurador (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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