Questão nº 21

Questão de Direito Administrativo · FGV ALERJ 2016 (nº 21)

FGV2016ProcuradorDireito Administrativo
Gabarito: Ever comentário ↓

A Assembleia Legislativa instaurou comissão parlamentar de inquérito para apurar as condições estruturais, materiais e de pessoal do sistema penitenciário estadual, diante da reiteração de denúncias de tortura e maus tratos aos detentos. A conclusão da CPI foi no sentido da procedência das representações, inclusive com a identificação de agentes penitenciários responsáveis pelas torturas.
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

Conceito-chave: A improbidade administrativa não exige dano ao erário nem que a vítima seja a Administração Pública. O que importa é a violação dos princípios que regem a atividade pública (legalidade, moralidade, dignidade da pessoa humana). Quando um agente público tortura um preso, ele agride a própria legitimidade do Estado, pois usa o poder estatal para praticar um ato ilegal e desumano — isso é, por si só, um ato de improbidade, independentemente de prejuízo financeiro.

  • (A) Incorreta: A vítima imediata não precisa ser a Administração; a tortura viola princípios constitucionais e administrativos, o que já configura improbidade, mesmo sem dano ao erário.
  • (B) Incorreta: A responsabilidade civil do Estado é objetiva (art. 37, § 6º, CF) e não exclui a ação regressiva contra o agente; a vítima pode acionar o Estado, que depois cobra do agente, e não precisa pleitear diretamente só do agente.
  • (C) Incorreta: O Secretário não responde solidariamente pelo crime de tortura apenas por ser superior hierárquico; a responsabilidade penal é pessoal e exige dolo ou culpa específica, não se presume por omissão genérica.
  • (D) Incorreta: A tortura não fica restrita à esfera penal; ela também gera improbidade administrativa (violação de princípios) e infração disciplinar, além da responsabilidade civil.
  • (E) Correta: A tortura de preso custodiado por agente penitenciário é ato de improbidade que atenta contra os princípios da Administração Pública (moralidade, legalidade, dignidade humana), somando-se às esferas penal e disciplinar.

Armadilha da banca na letra (A): Ela tenta convencer que improbidade exige dano ao erário ou prejuízo direto à Administração. Isso é falso: a Lei de Improbidade (art. 11) pune atos que violem princípios, sem necessidade de dano material. O preso torturado é vítima direta, mas o ato fere a confiança no serviço público, tornando o agente ímprobo.

Fonte: FGV ALERJ 2016 Procurador (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

Continue estudando

Estudar é izi

Pratique milhares de questões como esta, de graça, com explicação e gamificação no Quizinho.

Estudar de graça no Quizinho