Questão nº 53
Questão de Serviço Social · FCC DPE-RS 2017 (nº 53)
Grande parte das famílias pobres brasileiras, no universo simbólico, atribuem ao homem a autoridade moral da família diante da sociedade, e ainda coloca a mulher como chefe da casa, enquanto o homem é o chefe da família. Ou seja, a presença masculina é sinal de segurança tanto emocional, quanto material. Em famílias compostas por mãe e filho(s), é considerado como um reparador moral:
- Aa mudança de cidade.
- Bo casamento.
- Co trabalho. (alternativa correta)
- Ddar o filho para adoção.
- Edar o filho para própria família criar.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Conceito-chave: Em famílias pobres brasileiras, a chefia familiar (quem manda e organiza a casa) muitas vezes é da mulher, mas a autoridade moral (o respeito e a "palavra final" perante a sociedade) é atribuída ao homem. Quando não há homem presente, a sociedade e a própria família enxergam o trabalho como o elemento que "substitui" essa figura, pois é ele que traz sustento material e dignidade, funcionando como um "reparador moral" da ausência paterna.
- (A) Incorreta: Mudar de cidade não repara a falta de autoridade moral masculina; apenas transfere o problema de lugar, sem criar a segurança material ou simbólica que o trabalho proporciona.
- (B) Incorreta: O casamento até poderia trazer um homem para casa, mas a banca considera que, no universo simbólico dessa população, é o trabalho (e não o marido) que garante a sobrevivência e o respeito, sendo a via real de reparação moral.
- (C) Correta: O trabalho é o "reparador moral" porque, na visão dessas famílias, ele substitui a função provedora e protetora que seria do homem, devolvendo à mãe solo a sensação de segurança emocional e material e o reconhecimento social.
- (D) Incorreta: Dar o filho para adoção é uma ruptura extrema do vínculo, vista como abandono, e não como uma forma de reparar a moral familiar.
- (E) Incorreta: Entregar o filho para a família criar é uma solução prática de cuidado, mas não repara a falta de autoridade moral e provedora na figura materna; o trabalho continua sendo o que daria essa condição.
Armadilha da banca na letra B: A pegadinha está em pensar que "reparador moral" significa "trazer de volta a figura masculina". O casamento parece lógico, mas a banca parte do pressuposto de que, na cultura popular, a moral está ligada à capacidade de prover (trabalho), e não à presença de um marido. Quem marca B cai no senso comum de que "homem resolve tudo", mas o gabarito exige o conceito sociológico de que o trabalho é o que dá dignidade e sustento à família monoparental.
Fonte: FCC DPE-RS 2017 Analista - Apoio Especializado (Assistente Social) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.