Questão nº 33
Questão de Serviço Social · FCC DPE-RS 2017 (nº 33)
O Serviço Social, enquanto profissão, está vinculado/articulado a um projeto societário, na atualidade, a um projeto emancipador da sociedade. Os/as assistentes sociais podem e devem contribuir na construção das condições para a emancipação humana. Esta se dá
- Ana e pela cotidianidade.
- Bno e pelo trabalho associado.
- Cna e pela socialização dos meios de produção.
- Dno e pelo desenvolvimento social.
- Ena e pela práxis. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
Conceito-chave: Emancipação humana não é um “presente” que se recebe nem um estágio que se atinge automaticamente; é um processo histórico construído pela ação consciente e transformadora dos sujeitos. Essa ação é a práxis: a união indissolúvel entre reflexão teórica e intervenção prática voltada para superar a exploração e a alienação. No Serviço Social, o projeto ético-político se materializa quando o profissional age criticamente na realidade, articulando teoria e prática para criar condições de transformação social.
- (A) Incorreta: A cotidianidade (o dia a dia imediato, com suas rotinas e aparências) tende a reproduzir a alienação e o conformismo; a emancipação exige romper com essa lógica, não se limitar a ela.
- (B) Incorreta: O trabalho associado (cooperativas, autogestão) é uma mediação importante, mas não é a totalidade do processo emancipatório; sozinho, não garante a superação das relações sociais capitalistas.
- (C) Incorreta: A socialização dos meios de produção (fim da propriedade privada dos meios) é uma condição necessária, mas não suficiente; sem a práxis consciente, pode virar mera mudança econômica sem transformação das relações humanas.
- (D) Incorreta: O desenvolvimento social (crescimento de indicadores, políticas públicas) pode ocorrer dentro da ordem capitalista, sem tocar nas estruturas que geram a exploração; não é sinônimo de emancipação humana.
- (E) Correta: A emancipação se dá na e pela práxis, pois é somente na ação crítica e transformadora (teoria + prática) que os sujeitos se reconhecem como criadores da história e superam a alienação, construindo condições reais de liberdade.
Armadilha da banca: A alternativa (B) é a mais tentadora, pois o “trabalho associado” parece progressista e ligado à classe trabalhadora. A pegadinha é que a banca quer o fundamento filosófico central do projeto ético-político (a práxis como categoria ontológica), e não uma estratégia específica (como o cooperativismo). O trabalho associado é um meio que só ganha sentido emancipatório se for conduzido pela práxis crítica; por isso, é incorreto afirmar que a emancipação se dá “no e pelo” trabalho associado em si.
Fonte: FCC DPE-RS 2017 Analista - Apoio Especializado (Assistente Social) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.