Questão nº 40

Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 40)

FCC2019RedatorLíngua Portuguesa
Gabarito: Cver comentário ↓

Estabelecida na Sicília no século V a.C., a retórica terá como primeiros cultores a Empédocles, Córax e Tísias. Segundo Armando Plebe (1968, p. 3-6, passim*), já nesse momento nebuloso de suas origens, a disciplina conheceria duas linhagens: primeira, uma demonstração técnica e racional do verossímil; segunda, uma psicagogia (literalmente, “condução da alma”), isto é, exploração do potencial de sedução da palavra, aquém ou além de sua inteligibilidade. A primeira linhagem aspira a tornar mais potente o discurso válido de uma perspectiva lógica, tendo como fonte Córax, Tísias e Protágoras; a segunda, mergulhada em princípios pitagóricos − magia, medicina e música como terapias − e parmenídicos − distinção entre a via da verdade e a da opinião − pretende trabalhar o fascínio enganador a que se presta a palavra, originando-se no pensamento de Empédocles, para daí passar a Górgias e depois a Isócrates.*

A partir de fins do século V a. C., a retórica entra num período que ficou melhor documentado, podendo-se dizer, contudo, que a controvérsia já referida, entre a arte da palavra como embalagem do raciocínio ou como encantamento e ilusionismo, se transforma em verdadeiro mote do debate filosófico que atravessaria os séculos. Desse período, são de destacar as obras de Platão − que em geral reagiu contra a retórica enquanto hipertrofia da linguagem como forma sedutora, ou então a avaliou positivamente, desde que identificada com a dialética − e de Aristóteles − que lhe dedicou um tratado específico destinado a ampla influência, concebendo-a como técnica rigorosa de argumentação e como arte do estilo, além de estudá-la sob os pontos de vista do ethos do orador e do pathos dos ouvintes.


O texto atribui a Platão e a Aristóteles concepções distintas sobre a retórica. Para Platão, a retórica

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

Conceito-chave: Platão via a retórica com desconfiança: ela só seria aceitável se virasse ferramenta da dialética (diálogo filosófico que busca a verdade), e não um truque de sedução. Já Aristóteles a sistematizou como técnica neutra: um estudo rigoroso da argumentação, do estilo e dos efeitos sobre o orador (ethos) e a plateia (pathos).

  • (A) Incorreta: Platão não a define como "arte do diálogo" em si; ele a aceita apenas quando subordinada à dialética. E Aristóteles não a reduz a ethos e pathos: inclui também a argumentação lógica e o estilo.
  • (B) Incorreta: A armadilha aqui é o exagero: Platão não a via só como "engano"; ele a aceitava se alinhada à verdade. E Aristóteles não estudou "apenas" a argumentação — ele também tratou de estilo, ethos e pathos.
  • (C) Correta: É o gabarito. Platão a identifica com a dialética quando ela se afasta do engano; Aristóteles a trata como técnica de argumentação, arte do estilo e estudo do ethos do orador e do pathos do auditório — exatamente o que o texto afirma.
  • (D) Incorreta: A "controvérsia sobre a filosofia" não é a definição platônica; e Aristóteles não limita a retórica a "estudo da argumentação por meio de ethos e pathos" — ele também inclui o estilo e a lógica.
  • (E) Incorreta: Reduz Platão a "embalagem para iludir", ignorando sua aceitação condicional; e Aristóteles não é só "influenciar por técnicas", pois o tratado dele abrange estilo e psicologia do auditório, não apenas técnicas formais.

Fonte: FCC CMFOR 2019 Redator (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.

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