Questão nº 34
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 34)
Atenção: Para responder às questões de números 33 e 34, baseie-se no texto a seguir.
Assim, tanto o indianismo quanto o regionalismo de Alencar se construíram em um esquema sobredeterminado pela exaltação da nobreza do colonizador que só a devoção do colonizado pode igualar. A ambivalência dessa posição ideológica é resolvida poeticamente em Iracema*, lenda que conta a fundação do Ceará consumada graças à “doce escravidão” (expressão de Machado de Assis) à qual se submeteu a “virgem dos lábios de mel”. Iracema fugirá de sua tribo e se entregará ao conquistador europeu, Martim Soares Moreno. Dessa união fatal para a mulher, que morrerá ao dar à luz, nasceria Moacir, “filho do sofrimento”, o primeiro cearense. A coragem de Peri e a beleza de Iracema são a fonte de poesia desses romances ao mesmo tempo históricos e lendários. Mas o poder que imanta os enredos vem do colonizador: homem, branco, português.*
O trecho Mas o poder que imanta os enredos vem do colonizador: homem, branco, português
Este texto de apoio vale também pra questão nº 33.
- Aretoma a expressão de Machado de Assis, refutando-a.
- Baponta a prevalência do europeu ao primeiro cearense. (alternativa correta)
- Cconstitui um complemento às qualidades de Iracema.
- Dé objetivo ao assinalar a origem do cearense de forma heroica.
- Eressalta o sentimento nacionalista e enfoca elementos da brasilidade.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O conceito-chave aqui é inferência textual: o que o autor quer dizer com aquela frase, e não apenas o que ela diz literalmente. A frase final do texto não está elogiando o colonizador nem o cearense; ela está apontando quem detém o poder simbólico na narrativa de Alencar: o europeu. O poder que move os enredos (a coragem de Peri, a beleza de Iracema) é, na verdade, uma concessão do colonizador branco e português.
- (A) Incorreta: A frase não refuta Machado de Assis; ela apenas ecoa a ideia de "doce escravidão" de Iracema, mas o foco é a origem do poder, não a escravidão em si.
- (B) Correta: A frase é uma conclusão objetiva: o poder que sustenta as histórias (inclusive a fundação do Ceará com o nascimento de Moacir) pertence ao colonizador europeu, sobrepondo-se ao elemento nativo (o primeiro cearense). A "prevalência" é exatamente isso: o europeu manda, o nativo serve.
- (C) Incorreta: A frase não complementa as qualidades de Iracema (beleza, devoção); ela as relativiza, mostrando que elas só existem em função do colonizador.
- (D) Incorreta: A frase não trata da origem do cearense de forma heroica; pelo contrário, ela desmonta o heroísmo ao revelar que a origem (Moacir) está subordinada ao poder do colonizador. Armadilha da banca: o aluno lê "primeiro cearense" e acha que a frase exalta a origem; mas o texto diz que o poder vem do colonizador, não a heroicidade.
- (E) Incorreta: A frase não ressalta nacionalismo nem brasilidade; ela é crítica e analítica, apontando a hierarquia racial e cultural (homem, branco, português) que sustenta o mito de fundação.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Redator (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.