Questão nº 38
Questão de Língua Portuguesa · FCC CMFOR 2019 (nº 38)
Atenção: Para responder às questões de números 37 e 38, baseie-se no texto a seguir.
Havia na imprensa uma massa de analfabetos. Saíam as coisas mais incríveis. Lembro-me de que alguém, num crime passional, terminou assim a matéria: − “E nem um goivinho ornava a cova dela”. Dirão vocês que esse fecho de ouro é puramente folclórico. Não sei se talvez. Mas saía coisa parecida. E o Pompeu trouxe para cá o que se fazia nos Estados Unidos − o copy desk*. Começava a nova imprensa. Primeiro, foi só o* Diário Carioca*; pouco depois, os outros, por imitação, o acompanharam. Rapidamente, os nossos jornais foram atacados de uma doença grave:* − a objetividade. Daí para o “idiota da objetividade” seria um passo. Certa vez, encontrei-me com o Moacir Werneck de Castro. Gosto muito dele e o saudei com a mais larga e cálida efusão. E o Moacir, com seu perfil de Lord Byron, disse para mim, risonhamente: − “Eu sou um idiota da objetividade”.
Também Roberto Campos, mais tarde, em discurso, diria: − “Eu sou um idiota da objetividade”. Na verdade, tanto Roberto como Moacir são dois líricos. Eis o que eu queria dizer: − o idiota da objetividade inunda as mesas de redação e seu autor foi, mais uma vez, Pompeu de Sousa. Aliás, devo dizer que o copy desk e o idiota da objetividade são gêmeos e um explica o outro.
Em Eis o que eu queria dizer (2º parágrafo), o termo sublinhado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por
Este texto de apoio vale também pra questão nº 37.
- AAfinal, colocando-se em relevo a ideia de causa.
- BAo invés, ressaltando-se a noção de oposição.
- CExceto, evidenciando-se o caráter de exclusão.
- DAqui está, mantendo-se o caráter de designação. (alternativa correta)
- ESequer, mantendo-se o caráter de exclusão.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: O termo “Eis” é um pronome demonstrativo invariável que serve para apontar, designar ou apresentar algo que vem em seguida. Ele funciona como um “dedo apontando”: “Eis o problema” = “Aqui está o problema”. A banca testa se você reconhece essa função de designação, não um valor lógico (causa, oposição, exclusão).
- (A) Incorreta: “Afinal” introduz conclusão ou causa, mas “Eis” não explica motivo; apenas apresenta o conteúdo do pensamento.
- (B) Incorreta: “Ao invés” marca oposição, e o trecho não opõe ideias; apenas anuncia o que será dito.
- (C) Incorreta: “Exceto” indica exclusão de um elemento, mas “Eis” inclui e mostra o objeto, não o exclui.
- (D) Correta: “Aqui está” mantém exatamente o caráter de designação de “Eis”, pois ambos apontam para o que se segue (“o que eu queria dizer”).
- (E) Incorreta: “Sequer” significa “nem mesmo” e reforça exclusão, o que contraria a função de apresentação/apontamento do original.
Armadilha do distrator mais tentador (C): A banca coloca “Exceto” porque o aluno confunde “Eis” com a ideia de “tirar algo” (pensando em “excluir”), mas “Eis” não exclui; ele mostra algo que está presente. O erro é associar o som de “Eis” a “exceção”, quando a função real é de demonstração.
Fonte: FCC CMFOR 2019 Redator (Caderno Tipo 001). Reproduzida para fins de estudo.