Questão nº 86
Questão de Análise das Demonstrações Contábeis · CEBRASPE TCE MS 25 CONSELHEIRO 2025 (nº 86)
Para prever o risco de insolvência de uma entidade, Kanitz formulou a equação apresentada a seguir, com os seguintes fatores de insolvência: I₁ corresponde à rentabilidade; I₂, ao endividamento; I₃, à liquidez seca; I₄, à liquidez corrente; e I₅, à participação de capitais de terceiros.
(0,05 × I₁) + (1,65 × I₂) + (3,55 × I₃) – (1,06 × I₄) – (0,33 × I₅)
No modelo de Kanitz, resultados acima de zero para essa equação indicam a solvência da entidade, ao passo que resultados abaixo de zero indicam aumento do risco de insolvência.
O resultado da equação de Kanitz tenderá à caracterização de insolvência quanto maior for o fator
- Aparticipação de capitais de terceiros.
- Brentabilidade.
- Cliquidez seca.
- Dliquidez corrente. (alternativa correta)
- Eendividamento.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O modelo de Kanitz é uma fórmula de pontuação: ele soma fatores que indicam saúde financeira (rentabilidade, liquidez) e subtrai fatores que indicam risco (endividamento, participação de capitais de terceiros). A pegadinha está em reparar que, na equação, a liquidez corrente (I₄) tem sinal NEGATIVO (-1,06 × I₄). Ou seja, quanto maior for a liquidez corrente, menor será o resultado final da equação, empurrando o valor para baixo de zero, o que caracteriza insolvência no modelo. As outras variáveis com sinal positivo (rentabilidade, liquidez seca) ou que já representam risco (endividamento, capitais de terceiros) não têm esse efeito "invertido" de forma tão direta.
- (A) Incorreta: A participação de capitais de terceiros (I₅) já é um fator de risco, mas seu coeficiente é -0,33, ou seja, quanto maior ela for, mais negativo fica o resultado, o que até contribui para a insolvência — porém a questão pergunta qual fator, quanto maior, leva à insolvência, e a liquidez corrente tem coeficiente -1,06, muito mais forte e com sinal negativo, tornando-a a resposta correta. A armadilha aqui é achar que "mais dívida = mais risco", mas o coeficiente pequeno (-0,33) não é o que mais derruba o resultado.
- (B) Incorreta: A rentabilidade (I₁) tem coeficiente +0,05, ou seja, quanto maior, mais positivo o resultado, indicando solvência, não insolvência.
- (C) Incorreta: A liquidez seca (I₃) tem coeficiente +3,55, o maior da equação, mas com sinal positivo — quanto maior, mais solvável a empresa, o oposto do que a questão pede.
- (D) Correta: A liquidez corrente (I₄) entra na equação com sinal negativo (-1,06). Portanto, quanto maior for esse índice, mais o resultado final cai para baixo de zero, aproximando a entidade da zona de insolvência. É a única variável que, ao aumentar, reduz o escore de forma significativa, sendo exatamente o que o enunciado descreve.
- (E) Incorreta: O endividamento (I₂) tem coeficiente +1,65 (positivo), o que parece estranho, mas no modelo de Kanitz esse fator é tratado como algo que aumenta o escore (contribuindo para solvência), não o derruba. A armadilha é o senso comum de que endividamento é sempre ruim, mas aqui a fórmula o pondera com sinal positivo.
Fonte: CEBRASPE TCE MS 25 CONSELHEIRO 2025 Conselheiro Substituto. Reproduzida para fins de estudo.