Questão nº 59
Questão de Medicina · CEBRASPE TCE-MG 2025 (nº 59)
Antônio, enfermeiro de um serviço de saúde, sofre acidente com instrumento perfurocortante contaminado com sangue de um paciente portador do vírus da hepatite B.
Nesse caso hipotético, o exame sorológico mais relevante para avaliar o risco de que Antônio venha a desenvolver hepatite clínica, e cuja amostra deve ser colhida imediatamente, é o
- Aanti-VHD em Antônio.
- BHBeAG no paciente-fonte. (alternativa correta)
- CIgG anti-HBc no paciente-fonte.
- Danti-HBs no paciente-fonte.
- Eanti-HBE no paciente-fonte.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa B
O risco de hepatite B clínica após exposição ocupacional depende, sobretudo, da infectividade do paciente-fonte: quanto maior a replicação viral, maior a chance de transmissão. O marcador que indica replicação viral ativa e alta infectividade é o HBeAg (antígeno "e" do vírus B).
- (A) Incorreta: o anti-VHD avalia exposição ao vírus da hepatite D (delta), que não é o agente do caso e não mede infectividade do VHB.
- (B) Correta: o HBeAg no paciente-fonte é o marcador de replicação viral ativa e alta infectividade; positivo indica maior risco de transmissão e, portanto, é o exame mais relevante para estimar o risco de Antônio desenvolver hepatite B clínica.
- (C) Incorreta: o IgG anti-HBc no paciente-fonte apenas indica contato prévio com o VHB (infecção passada ou atual), sem informar se há replicação viral ativa.
- (D) Incorreta: o anti-HBs no paciente-fonte é marcador de imunidade (vacinal ou pós-infecção resolvida); se positivo, sugere fonte não infectante, não avaliando risco de transmissão.
- (E) Incorreta: o anti-HBe no paciente-fonte costuma indicar menor replicação viral (fase de baixa infectividade), não sendo o marcador mais relevante para estimar risco imediato.
Distrator mais tentador — (C) IgG anti-HBc no paciente-fonte: a armadilha é confundir "já teve contato com o vírus" com "está transmitindo o vírus". O anti-HBc só mostra exposição pregressa ou atual, mas não diferencia quem replica ativamente de quem já resolveu a infecção; por isso não estima bem o risco de hepatite clínica. O que a banca cobra é o marcador de infectividade atual, que é o HBeAg.
Fonte: CEBRASPE TCE-MG 2025 Médico. Reproduzida para fins de estudo.