Questão nº 10
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II (nº 10)
Texto 2A1-II
É surpreendente o que a linguagem consegue fazer. Com
poucas sílabas, ela consegue expressar um incalculável número
de pensamentos, a tal ponto que, até para um pensamento pela
primeira vez apreendido por um ser humano, ela encontra uma
roupagem por meio da qual um outro ser humano é capaz de
apreendê-lo, ainda que esse pensamento lhe seja inteiramente
novo. Isso não seria possível se não pudéssemos distinguir no
pensamento partes que correspondem a partes de uma sentença,
de modo que a estrutura da sentença sirva como imagem da
estrutura do pensamento. É verdade que falamos figuradamente
quando aplicamos ao pensamento a relação todo-parte. Essa
analogia, porém, é tão clara e, de modo geral, tão pertinente que
dificilmente nos deixamos perturbar por suas eventuais
imperfeições.Se encaramos os pensamentos como compostos de partes
simples, e se a estas correspondem, por sua vez, partes simples
da sentença, então podemos compreender como é possível
formar, a partir de poucas partes da sentença, uma grande
variedade de sentenças, às quais, por sua vez, corresponde uma
grande variedade de pensamentos. Cabe aqui perguntar como o
pensamento se constrói e como suas partes são combinadas de
modo que o todo se torne algo mais do que as partes
isoladamente.
No primeiro parágrafo do texto 2A1-II, a expressão "Essa
analogia" (último período) refere-se à
- Adistinção entre sentença e pensamento.
- Batribuição de roupagem, pela linguagem, a pensamentos.
- Cdecomposição da sentença em segmentos.
- Daplicação da relação todo-parte a pensamentos. (alternativa correta)
- Eapreensão de pensamentos por meio de palavras.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: Referenciação é o uso de palavras (como pronomes ou expressões) para retomar ou substituir algo já dito no texto, criando uma "corrente" de sentido. Para achar o referente, você deve voltar no texto e ver qual ideia foi dita imediatamente antes da expressão "Essa analogia".
- (A) Incorreta: A distinção entre sentença e pensamento é o tema geral do parágrafo, mas não é o que a expressão "Essa analogia" retoma especificamente; a analogia citada é sobre a relação todo-parte, não sobre a diferença entre os dois conceitos.
- (B) Incorreta: A "roupagem" que a linguagem dá aos pensamentos é uma metáfora usada no início, mas a expressão "Essa analogia" não se refere a essa imagem, e sim à comparação feita logo antes dela no período anterior.
- (C) Incorreta: A decomposição da sentença em segmentos é uma consequência da analogia, não a analogia em si; o texto fala em "partes simples da sentença", mas a expressão "Essa analogia" aponta para a comparação entre pensamento e todo-parte.
- (D) Correta: O período anterior diz: "É verdade que falamos figuradamente quando aplicamos ao pensamento a relação todo-parte. Essa analogia...". Ou seja, "Essa analogia" retoma exatamente a aplicação da relação todo-parte a pensamentos (comparar o pensamento a um todo composto de partes).
- (E) Incorreta: Apreender pensamentos por meio de palavras é o efeito geral da linguagem descrito no início, mas não é o referente específico de "Essa analogia", que está ligado à frase imediatamente anterior sobre a relação todo-parte.
Armadilha da banca (no distrator mais tentador, a letra B): A banca sabe que o leitor se encanta com a metáfora da "roupagem" e marca a letra B sem voltar ao texto. O truque é que "Essa analogia" não retoma a metáfora da roupagem (dita no início), mas sim a comparação explícita feita no período imediatamente anterior, sobre aplicar a relação todo-parte ao pensamento. Sempre que houver "Essa/Este/Aquele", procure o referente mais próximo no texto, não o mais bonito ou o primeiro que apareceu.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Conhecimentos Específicos II). Reproduzida para fins de estudo.