Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II (nº 5)

CEBRASPE2025Auditor Fiscal da Receita EstadualLíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

Texto 2A1-I

Nunca gostei do excesso de realidade presente na boca
dos arautos que falam sobre o Rio, seja em mesa de bar,
entrevista de canal a cabo ou seminário de universitárias
charmosas. Na cidade, eu procuro a ficção.

Não se trata de inventar histórias, nem de negar-se ao
mundo, aos objetos e às relações formativas desta civilização
carioca. Trata-se de fruir, de buscar ao longo do dia o direito a
esse instante. Ele é possível até mesmo sob o sol a pino, quando
você é um camelô e arruma fileiras amarelas e vermelhas de
bombons Serenata de Amor sobre a lona de plástico azul na
calçada, imitando a vitrine da loja de roupa de grife atrás.

Neste momento, você deve negar-se a qualquer
entendimento sociológico da vida deste rapaz que produza
compaixão, pois logo em seguida ele vai oferecer três bombons
por um real com uma voz anasalada, num pregão que lembra o
negro que vendia cocada em Dom Casmurro. Ele sabe que a
forma de executar o pregão é decisiva para que você compre ou
não o bombom. Mesmo sem ter lido Machado, ele já se
apropriou das estratégias de ficção.

Quando comecei a perceber que essa estratégia do camelô
funcionava, decidi treinar estratégias de ficção com as pessoas
com as quais convivia. Gosto de ver a reação desse carioca diante
de quem faz uso de estratégias ficcionais. Não resisto a uma roda
na rua, principalmente as do Largo da Carioca. Paro sempre para
ver o tipo que ameaça pular no aro de bicicleta com facas
espetadas para a plateia de office-boys e transeuntes diversos. Ele
nunca pula, mas seus gestos e o seu tom de voz são decisivos no
atraso de documentos de escritórios no centro da cidade.

Não é fácil negar-se ao excesso de realidade. É preciso
treinamento. Gosto de treinar no carnaval. Gosto de ir a Oswaldo
Cruz. Ligo minha câmera e fico sentado no meio-fio esperando a
performática saída de quase cem bate-bolas de um pequeno
portão de chapa de aço. Eles desfilam cores, bexigadas furiosas
no chão e sons incompreensíveis. Melhor mesmo é estar dentro
desse grupo, usando uma dessas fantasias e participando dessa
saída explosiva. De dentro da máscara, nada ao redor é realidade.
Você escolhe como contar.


No penúltimo período do quarto parágrafo do texto 2A1-I, a
palavra "tipo" é empregada com o sentido de

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

Conceito-chave: A palavra "tipo" é um substantivo comum que, no contexto, funciona como um sinônimo informal de "pessoa" ou "indivíduo", referindo-se a alguém específico (o homem que ameaça pular no aro de bicicleta). A banca testa se você percebe o sentido contextual, não o sentido genérico de "modelo" ou "categoria".

  • (A) Correta: No trecho "o tipo que ameaça pular no aro", "tipo" designa uma pessoa específica, um indivíduo desconhecido, reforçado pelo pronome "o" e pela oração relativa que o caracteriza.
  • (B) Incorreta: "Intérprete" seria alguém que representa um papel artístico, mas o homem no Largo da Carioca não é um ator profissional; ele é apenas uma pessoa comum fazendo uma performance de rua.
  • (C) Incorreta: "Gênero" remete a categoria ou classe (ex.: gênero textual), mas aqui não há classificação de algo; há referência a uma pessoa concreta.
  • (D) Incorreta: Armadilha da banca: "Modelo" é o sentido mais comum de "tipo" (ex.: tipo de carro), mas no texto não há ideia de padrão ou exemplar a ser seguido; é uma referência direta a um sujeito.
  • (E) Incorreta: "Artesão" é um profissional que trabalha com artesanato, e o homem do aro não é descrito como tal; ele é apenas um performista de rua.

Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Conhecimentos Específicos II). Reproduzida para fins de estudo.

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