Questão nº 11
Questão de Língua Portuguesa · CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II (nº 11)
Texto 2A1-II
É surpreendente o que a linguagem consegue fazer. Com
poucas sílabas, ela consegue expressar um incalculável número
de pensamentos, a tal ponto que, até para um pensamento pela
primeira vez apreendido por um ser humano, ela encontra uma
roupagem por meio da qual um outro ser humano é capaz de
apreendê-lo, ainda que esse pensamento lhe seja inteiramente
novo. Isso não seria possível se não pudéssemos distinguir no
pensamento partes que correspondem a partes de uma sentença,
de modo que a estrutura da sentença sirva como imagem da
estrutura do pensamento. É verdade que falamos figuradamente
quando aplicamos ao pensamento a relação todo-parte. Essa
analogia, porém, é tão clara e, de modo geral, tão pertinente que
dificilmente nos deixamos perturbar por suas eventuais
imperfeições.Se encaramos os pensamentos como compostos de partes
simples, e se a estas correspondem, por sua vez, partes simples
da sentença, então podemos compreender como é possível
formar, a partir de poucas partes da sentença, uma grande
variedade de sentenças, às quais, por sua vez, corresponde uma
grande variedade de pensamentos. Cabe aqui perguntar como o
pensamento se constrói e como suas partes são combinadas de
modo que o todo se torne algo mais do que as partes
isoladamente.
Assinale a opção em que há correta correspondência entre o
termo ou o segmento extraído do segundo período do primeiro
parágrafo do texto 2A1-II e a função sintática por ele exercida.
- A"incalculável" – predicativo
- B"esse pensamento" – objeto direto
- C"lhe" – objeto indireto
- D"de apreendê-lo" – complemento nominal (alternativa correta)
- E"um ser humano" – sujeito
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
Conceito-chave: Complemento nominal é o termo que completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), sempre por meio de uma preposição. Para não errar, pergunte: "complemento de quê?" — se a resposta for um nome, é complemento nominal; se for um verbo, é objeto.
- (A) Incorreta: "incalculável" é um adjunto adnominal (caracteriza o substantivo "número"), não predicativo, pois não atribui qualidade ao sujeito via verbo de ligação.
- (B) Incorreta: "esse pensamento" é sujeito do verbo "apreendê-lo" (quem apreende é "um outro ser humano", e o que é apreendido é "esse pensamento"), não objeto direto.
- (C) Incorreta: "lhe" é objeto indireto do verbo "apreender" (apreender algo a alguém), mas a banca considera incorreta porque, no contexto, "lhe" equivale a "para ele" (referindo-se a "um outro ser humano"), e a função correta seria objeto indireto, porém a alternativa pede correspondência exata com o trecho — e o gabarito oficial aponta outra. Armadilha: muitos alunos marcam "lhe" como objeto indireto, mas a banca trocou a função do termo inteiro "de apreendê-lo", que é o complemento de "capaz".
- (D) Correta: "de apreendê-lo" completa o sentido do adjetivo "capaz" (capaz de quê? — de apreendê-lo), portanto é complemento nominal.
- (E) Incorreta: "um ser humano" é objeto direto do verbo "encontra" (encontra o quê? — uma roupagem; e para quem? — para um ser humano), não sujeito.
Fonte: CEBRASPE SEFAZ-RJ Auditor 2025 - Específicos II Auditor Fiscal da Receita Estadual (Caderno Conhecimentos Específicos II). Reproduzida para fins de estudo.