Questão nº 76
Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 76)
Uma paciente de 22 anos, bailarina, sofreu entorse do tornozelo direito, com impossibilidade de deambular apoiando o membro lesionado ao solo e com edema perimaleolar de 1+ em 4+. Atendida na emergência foi diagnosticada, após exames por imagens, com fratura do tornozelo, segundo a classificação AO/OTA 44C2.2u.
Dentre as alternativas abaixo, a melhor conduta para essa paciente é:
- Atratamento conservador com tala gessada suropodálica e, após a regressão do edema, colocação de aparelho gessado suropodálico com o pé supinado e rodado externamente;
- Bredução da fíbula e estabilização com uma placa terço de cana pré-moldada bloqueada e parafusos, associada a redução com fixação do maléolo medial, utilizando dois parafusos canulados;
- Credução da fíbula e estabilização com uma placa terço de cana modelada e parafusos, associada a sutura do ligamento deltoide e redução da articulação tibiofibular distal, com estabilização da articulação utilizando um parafuso cortical;
- Dredução indireta da fratura da fíbula e estabilização com uma haste intramedular bloqueada, associada a sutura do ligamento deltoide e redução da articulação tibiofibular distal, com estabilização da articulação utilizando um parafuso cortical;
- Eredução da fíbula e estabilização com uma placa terço de cana modelada e parafusos, associada a redução e fixação do maléolo medial com dois parafusos canulados e redução da articulação tibiofibular distal, com estabilização da articulação utilizando um parafuso cortical. (alternativa correta)
Resposta comentada
Gabarito Alternativa E
O conceito-chave para fraturas de tornozelo instáveis, como a fratura bimaleolar (AO/OTA 44C2.2u) em uma paciente jovem e ativa, é a necessidade de redução anatômica e fixação estável de todos os componentes lesionados (maléolo lateral, maléolo medial e sindesmose) para restaurar a função e prevenir artrose pós-traumática.
- A) Incorreta: Fraturas bimaleolares são instáveis e requerem tratamento cirúrgico na maioria dos casos, especialmente em pacientes jovens e ativos como bailarinas, para garantir a redução anatômica e a estabilidade. O tratamento conservador é inadequado.
- B) Incorreta: A questão descreve "Lesão do Ligamento Deltoide", mas também "Fratura Bimaleolar". Uma fratura bimaleolar implica fratura do maléolo medial, que requer fixação óssea (como parafusos canulados), não apenas a lesão ligamentar. Além disso, não aborda a lesão da sindesmose, que é crucial em fraturas tipo C.
- C) Incorreta: Esta é a alternativa mais tentadora. Embora aborde a fíbula e a sindesmose corretamente, a armadilha está na abordagem do componente medial. A descrição "Fratura Bimaleolar" implica uma fratura do maléolo medial. Portanto, a sutura do ligamento deltoide não é o tratamento primário para uma fratura óssea do maléolo medial. Se há uma fratura do maléolo medial, ela deve ser fixada, e a sutura do ligamento deltoide é geralmente secundária ou não necessária se a estabilidade medial for restaurada pela fixação óssea.
- D) Incorreta: A haste intramedular para a fíbula é menos comum e geralmente não é o padrão ouro para fraturas de fíbula, sendo a placa e parafusos mais indicados para obter redução anatômica e estabilidade rotacional. Além disso, repete o erro de tratar o componente medial apenas com sutura do ligamento deltoide em uma fratura bimaleolar.
- (E) Correta: Esta alternativa descreve a conduta mais completa e apropriada. Aborda a fratura da fíbula com placa e parafusos (padrão ouro), a fratura do maléolo medial com parafusos canulados (padrão ouro para fixação óssea), e a lesão da sindesmose com parafuso cortical (padrão ouro para estabilização da articulação tibiofibular distal). Essa abordagem restaura a anatomia e a estabilidade de todas as estruturas lesionadas, essencial para uma bailarina.
Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Ortopedia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.