Questão nº 56
Questão de Medicina · FGV TRF1 2024 (nº 56)
Um paciente de 55 anos, trabalhador rural, diabético, insulina dependente, sofreu queda de uma cerca ao limpar um estábulo, apresentando ferida contusa e deformidade na perna esquerda. Quatro horas após o acidente, deu entrada na emergência do hospital local, com pressão arterial sistólica de 120 mm de Hg e o membro inferior esquerdo imobilizado com tala de papelão. Após exames pertinentes, verificou-se que o paciente apresentava somente fratura exposta segmentar da tíbia esquerda, sem perda óssea, ferida com perda de cobertura cutânea sobre o local da fratura e perda de um compartimento de unidade miotendínea. A fratura foi classificada pela equipe médica como tipo IIIB de Gustilo.
Segundo o escore GHOIS (Ganga Hospital Open Injury Score) para as fraturas expostas, é correto afirmar que:
- Apara esse paciente, o membro fraturado deve ser preservado;
- Bpacientes com pontuação menor que 7 geralmente evoluem para amputação;
- Cpacientes com pontuação menor que 10 geralmente evoluem para amputação;
- Dsomente com o escore de GHOIS, para esse paciente, não podemos definir se esse membro fraturado deve ser preservado ou amputado; (alternativa correta)
- Esegundo o escore de GHOIS, no momento do primeiro atendimento, devemos informar ao paciente que a lesão existente geralmente evolui para amputação.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa D
O GHOIS (Ganga Hospital Open Injury Score) é uma ferramenta usada para ajudar a prever a probabilidade de um membro com fratura exposta grave ser salvo (preservado) ou precisar ser amputado. Ele considera a gravidade da lesão e características do paciente para dar uma pontuação, onde pontuações mais altas geralmente indicam um risco maior de amputação.
(A) Incorreta: A fratura Gustilo IIIB, a perda de cobertura cutânea e de um compartimento miotendíneo, somados ao diabetes do paciente, indicam uma lesão grave e complexa. Afirmar que o membro deve ser preservado é uma conclusão precipitada e não pode ser feita apenas com as informações fornecidas, nem por um escore isolado.
(B) Incorreta: Geralmente, em escores de gravidade como o GHOIS, pontuações mais altas indicam maior risco de amputação ou pior prognóstico. Pontuações menores tendem a indicar uma maior chance de salvamento do membro, e não o contrário. Essa alternativa inverte a lógica da maioria dos escores.
(C) Incorreta: Similar à alternativa B, esta também inverte a lógica. Pontuações menores em escores de gravidade geralmente são associadas a um melhor prognóstico para salvamento do membro, não para amputação.
(D) Correta: O escore GHOIS, assim como outros escores de gravidade de lesões (ex: MESS - Mangled Extremity Severity Score), são ferramentas preditivas que auxiliam na tomada de decisão, mas não são absolutas. A decisão final sobre a preservação ou amputação de um membro é complexa e envolve múltiplos fatores, incluindo a avaliação clínica contínua, a resposta ao tratamento, a experiência da equipe cirúrgica, os recursos disponíveis e as preferências do paciente, além do escore. O escore sozinho não define o desfecho.
(E) Incorreta: Informar ao paciente sobre a amputação no primeiro atendimento, baseando-se apenas em um escore (que nem sequer foi calculado na questão), é prematuro e inadequado. O GHOIS fornece uma probabilidade, não uma certeza, e a comunicação de prognósticos tão graves requer uma avaliação completa, discussão de opções e acompanhamento. A armadilha aqui é a ideia de que um escore isolado pode ser usado para dar um prognóstico definitivo e imediato ao paciente, ignorando a complexidade da decisão clínica e a necessidade de uma abordagem humanizada.
Fonte: FGV TRF1 2024 Analista Judiciário - Medicina (Ortopedia) (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.