Questão nº 63

Questão de Direito Processual Penal · FGV TJCE 2019 (nº 63)

FGV2019Técnico Judiciário - Área JudiciáriaDireito Processual Penal
Gabarito: Ever comentário ↓

Hugo foi vítima de crime de dano simples, tendo ele identificado que a autora do fato seria sua ex-namorada Joana. Acreditando que a ex-namorada adotou o comportamento em um momento de raiva, demonstra seu desinteresse em vê-la processada criminalmente. Ocorre que os fatos chegaram ao conhecimento da autoridade policial e do Ministério Público.
Considerando que o crime de dano simples é de ação penal privada, se aplica, ao caso, o princípio da:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa E

O conceito-chave aqui é que, nos crimes de ação penal privada, a vítima tem o poder de decidir se quer ou não iniciar um processo criminal contra o agressor. Essa escolha é um direito dela.

  • A) Incorreta: O princípio da indivisibilidade significa que, se a vítima decide processar, ela deve processar todos os autores identificados. Ele não cria uma obrigação de iniciar a ação penal. Hugo não tem obrigação de apresentar queixa-crime se não quiser.
  • B) Incorreta: O princípio da disponibilidade permite que a vítima desista da ação penal depois de iniciada. A parte sobre o Ministério Público oferecer denúncia em caso de omissão do ofendido por 6 meses se refere à ação penal privada subsidiária da pública, que é uma exceção e ocorre quando o Ministério Público não age em um crime de ação penal pública. No caso, o crime é de ação penal privada desde o início, e o MP não pode simplesmente assumir a ação se a vítima não a iniciar. Essa é a armadilha da banca, pois mistura conceitos de tipos de ação penal diferentes.
  • C) Incorreta: O princípio da obrigatoriedade se aplica à ação penal pública, onde o Ministério Público é obrigado a agir se houver provas. Na ação penal privada, a vítima tem a escolha, não a obrigação.
  • D) Incorreta: A perempção é uma forma de extinção da punibilidade que ocorre depois que a ação penal privada já foi iniciada e a vítima (querelante) deixa de praticar atos processuais por um certo tempo ou não comparece a atos importantes. No caso, Hugo sequer iniciou a ação, então não há perempção.
  • (E) Correta: O princípio da oportunidade (ou conveniência) significa que, nos crimes de ação penal privada, a vítima tem a liberdade de escolher se quer ou não iniciar o processo criminal. O desinteresse de Hugo em processar Joana demonstra exatamente a aplicação desse princípio, pois ele tem a oportunidade de decidir.

Fonte: FGV TJCE 2019 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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