Questão nº 61

Questão de Direito Processual Penal · FGV TJCE 2019 (nº 61)

FGV2019Técnico Judiciário - Área JudiciáriaDireito Processual Penal
Gabarito: Cver comentário ↓

Gabriel, funcionário público do Tribunal de Justiça do Ceará, foi vítima de um crime de injúria, sendo a ofensa relacionada ao exercício de sua função pública. Optou, porém, por nada fazer em desfavor do autor da ofensa. Ocorre que a chefia imediata de Gabriel, informada sobre o ocorrido, e revoltada com o desrespeito, compareceu à delegacia e narrou o fato para autoridade policial, que instaurou procedimento e fixou prazo inicial de 20 dias para investigações. Após 19 dias, concluídas as investigações, o Delegado se prepara para apresentar relatório final. Ao tomar conhecimento dos fatos, Gabriel procura seu advogado para assistência jurídica.
Considerando as informações narradas e o Enunciado 704 da Súmula de Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções), o advogado de Gabriel deverá esclarecer que:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa C

O conceito-chave aqui é a ação penal pública condicionada à representação, que significa que, para o Ministério Público (MP) poder iniciar um processo criminal, a vítima precisa expressar sua vontade de que isso aconteça, por meio de um pedido formal chamado representação. No caso de crimes contra a honra de funcionário público em razão da função, a Súmula 704 do STF permite que a ação seja privada (iniciada pela vítima via queixa-crime) ou pública condicionada à representação (iniciada pelo MP, mas com a permissão da vítima).

  • (A) Incorreta: Embora a denúncia do MP dependa de representação no prazo de 6 meses do conhecimento da autoria, o inquérito policial não pode ser instaurado independentemente da manifestação de vontade de Gabriel em crimes de ação penal pública condicionada (Art. 5º, § 4º do CPP).
  • (B) Incorreta: O prazo de 10 dias para inquérito é para réu preso. Para réu solto, o prazo é de 30 dias (Art. 10 do CPP). A afirmação de que não poderia ocorrer por 20 dias e que o máximo é 10 dias está equivocada para réu solto.
  • (C) Correta: Para crimes de ação penal pública condicionada à representação, como é o caso quando o Ministério Público atua em crimes contra a honra de servidor público em razão da função (conforme Súmula 704 do STF), o inquérito policial não pode ser instaurado sem a representação do ofendido (Art. 5º, § 4º do CPP). Como Gabriel não representou, a instauração do inquérito foi irregular.
  • (D) Incorreta: O prazo decadencial de 06 (seis) meses para a queixa-crime (e para a representação) começa a contar da data em que o ofendido vem a saber quem é o autor do crime, e não da data do fato (Art. 103 do CP e Art. 38 do CPP). A armadilha é confundir o termo inicial do prazo.
  • (E) Incorreta: A autoridade policial não possui competência para arquivar o inquérito policial. Essa atribuição é exclusiva do Ministério Público (Art. 17 do CPP).

Fonte: FGV TJCE 2019 Técnico Judiciário - Área Judiciária (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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