Questão nº 30

Questão de Contabilidade · FGV TJ-MS 2024 (nº 30)

FGV2024Técnico de Nível Superior - Analista Técnico-ContábilContabilidade
Gabarito: Bver comentário ↓

Uma empresa S.A. do setor aéreo, que já possuía uma frota de aeronaves, arrendou mais 20 aeronaves ao valor de R$ 2 bilhões para um prazo de 10 anos. O efeito resultou em nova conta no ativo, denominada de direito de uso, e no passivo.
Uma parcela ficou no circulante (10%) e outra, no não circulante.
Figura da questão de Contabilidade
Considerando-se as informações apresentadas, o contador identificou que, após a contabilização da transação, a(o):

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é o impacto da contabilização de arrendamentos (locações) no balanço patrimonial, conforme as normas contábeis mais recentes (como IFRS 16 ou CPC 06 R2). Antes, muitos arrendamentos eram tratados como despesas de aluguel e não apareciam no balanço. Agora, a empresa precisa reconhecer um ativo de direito de uso (o direito de usar o bem arrendado) e um passivo de arrendamento (a obrigação de pagar as parcelas futuras) no balanço. Essa mudança afeta diretamente os valores de ativos e passivos, e consequentemente, os índices financeiros.

  • (A) Incorreta: A liquidez corrente (Ativo Circulante / Passivo Circulante) diminuiu. O ativo de direito de uso é classificado como não circulante, não aumentando o Ativo Circulante. No entanto, 10% do passivo de arrendamento (R$ 200 milhões) foi classificado como Passivo Circulante. Com o aumento do denominador (Passivo Circulante) e o numerador (Ativo Circulante) permanecendo inalterado (ou aumentando menos que proporcionalmente se houvesse algum efeito indireto não mencionado), o índice de liquidez corrente diminui.
  • (B) Correta: A composição do endividamento (Passivo Circulante / Passivo Total) diminuiu. O passivo de arrendamento total é de R$ 2 bilhões, sendo R$ 200 milhões no circulante e R$ 1,8 bilhão no não circulante. A adição de uma grande parcela de passivo não circulante (R$ 1,8 bilhão) em comparação com a parcela circulante (R$ 200 milhões) faz com que a proporção de dívidas de curto prazo em relação ao total da dívida diminua. Isso ocorre porque o aumento no passivo não circulante é muito maior do que o aumento no passivo circulante, "diluindo" a participação do passivo circulante no passivo total.
  • (C) Incorreta: O índice de imobilização do PL (Ativo Não Circulante / Patrimônio Líquido) aumentou. O ativo de direito de uso (R$ 2 bilhões) é um Ativo Não Circulante, aumentando o numerador. O Patrimônio Líquido não é diretamente afetado por essa transação (que é uma troca de ativo por passivo), mantendo o denominador constante. Assim, o índice aumenta.
  • (D) Incorreta: O índice de imobilização dos recursos não correntes (Ativo Não Circulante / (Patrimônio Líquido + Passivo Não Circulante)) aumentou. O Ativo Não Circulante (numerador) aumentou em R$ 2 bilhões. O Passivo Não Circulante (parte do denominador) aumentou em R$ 1,8 bilhão, enquanto o Patrimônio Líquido permanece inalterado. Como o aumento no numerador (R$ 2 bilhões) é maior que o aumento no denominador (R$ 1,8 bilhão), o índice aumenta.
  • (E) Incorreta: O Índice de endividamento (Passivo Total / Ativo Total) aumentou. Tanto o Passivo Total quanto o Ativo Total aumentaram em R$ 2 bilhões (o valor do passivo de arrendamento e do ativo de direito de uso). Se um índice (numerador/denominador) for menor que 1 (o que é o caso para empresas solventes, pois Ativo Total = Passivo Total + Patrimônio Líquido), adicionar a mesma quantia positiva ao numerador e ao denominador sempre fará com que o índice aumente.

Fonte: FGV TJ-MS 2024 Técnico de Nível Superior - Analista Técnico-Contábil (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.

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