Questão nº 52
Questão de Psicologia · FGV TCE-TO 2022 (nº 52)
Ana Maria atua como psicóloga clínica de adultos e atendeu em seu consultório o advogado Jeferson por três anos. Depois do fim do processo terapêutico, ele procurou novamente pela profissional, demandando que ela atue como perita no processo judicial que ele move contra a ex-esposa Jéssica, em pedido da guarda unilateral do filho de ambos, Jean, de 2 anos.
Segundo as disposições contidas na Resolução CFP nº 10/2005, Ana Maria:
- Adeve atuar como perita independentemente da atuação anterior como psicóloga clínica;
- Bsó pode atuar como perita se Jéssica concordar com isso;
- Cnão deve atuar como perita em função da intervenção anterior como psicóloga clínica; (alternativa correta)
- Ddeve atuar como perita, pois está em jogo o bem-estar de uma criança;
- Enão pode atuar como perita em processo de guarda infantil pois atende exclusivamente adultos.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
Um psicólogo não pode atuar como perito em um processo judicial se já teve uma relação de atendimento clínico com uma das partes envolvidas, pois isso criaria um conflito de interesses e comprometeria a imparcialidade necessária para a perícia.
(A) Incorreta: A atuação anterior como psicóloga clínica com uma das partes (Jeferson) impede a imparcialidade exigida para a função de perita, gerando um conflito de interesses ético.
(B) Incorreta: A concordância da outra parte (Jéssica) não anula o conflito de interesses e a quebra de imparcialidade inerente à atuação prévia do psicólogo com uma das partes. O Código de Ética visa proteger a profissão e os envolvidos, independentemente de consentimento.
(C) Correta: A Resolução CFP nº 10/2005, em seu Art. 2º, alínea "p", proíbe o psicólogo de "estabelecer com a pessoa atendida, familiar ou terceiro ligado ao atendido, vínculo que possa interferir negativamente nos objetivos do serviço a ser prestado ou nos interesses desses". A atuação clínica prévia com Jeferson compromete a neutralidade e a objetividade indispensáveis à função de perita, pois o psicólogo já possui um vínculo e informações obtidas em um contexto diferente (terapêutico), que não é o da perícia.
(D) Incorreta: Embora o bem-estar da criança seja primordial, ele deve ser garantido por meio de um processo pericial ético e imparcial. Atuar como perita em uma situação de conflito de interesses comprometeria a validade e a credibilidade do laudo, o que, em última instância, não serviria ao melhor interesse da criança. Armadilha: Esta alternativa tenta apelar para a sensibilidade em relação ao bem-estar infantil, mas ignora que a ética profissional é o caminho para garantir esse bem-estar de forma justa e imparcial.
(E) Incorreta: A especialidade de atender exclusivamente adultos não é o fator impeditivo aqui. O problema central é a relação clínica prévia com uma das partes envolvidas no processo judicial.
Fonte: FGV TCE-TO 2022 Analista Técnico - Psicologia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.