Questão nº 18

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 18)

FGV2012Comum Técnico ILíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

A Nova Praga

Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.

Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.

(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)


Assinale a alternativa em que o elemento sublinhado representa o paciente (complemento nominal) e não o agente (adjunto adnominal).

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O Complemento Nominal (CN) completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e indica o paciente, ou seja, quem sofre a ação ou é o alvo da qualidade. O Adjunto Adnominal (AAN), por sua vez, caracteriza ou especifica um substantivo, indicando posse, origem, matéria, finalidade ou o agente (quem pratica a ação). A chave é diferenciar se o termo preposicionado é o agente (AAN) ou o paciente (CN) da ação implícita no nome.

  • (A) Incorreta: "de Latim" especifica o assunto da "aula". O Latim não pratica a ação de "aula" nem a sofre. É uma especificação, portanto, Adjunto Adnominal.
  • (B) Correta: "Comentaristas" é um substantivo que implica a ação de "comentar". "de futebol" indica o objeto dessa ação, ou seja, o que é comentado. O futebol é o paciente da ação de comentar. Portanto, "de futebol" é um Complemento Nominal.
  • (C) Incorreta: "de futebol" indica a finalidade dos "campos" (campos para futebol). O futebol não pratica a ação de "campo" nem a sofre. É uma finalidade, portanto, Adjunto Adnominal.
  • (D) Incorreta: "Transmissões" é um substantivo que implica a ação de "transmitir". "de nossa televisão" indica quem pratica a ação de transmitir (a televisão transmite). É o agente da ação, portanto, Adjunto Adnominal. Esta é uma armadilha comum, pois "de + nome" modificando um substantivo verbal pode ser CN ou AAN; aqui, é AAN por ser agente.
  • (E) Incorreta: "de nosso substantivo" indica a posse ou especifica a que "Étimo" se refere. O substantivo não pratica a ação de "étimo" nem a sofre. É uma especificação/posse, portanto, Adjunto Adnominal.

Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Técnico I). Reproduzida para fins de estudo.

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