Questão nº 5

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 5)

FGV2012Comum Técnico ILíngua Portuguesa
Gabarito: Aver comentário ↓

A Nova Praga

Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.

Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.

(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)


Ao usar a expressão "verde‐verdinho", no primeiro parágrafo, para indicar a cor do gramado do campo de futebol, o autor do texto acumulou dois valores:

Resposta comentada

Gabarito Alternativa A

A expressividade de um adjetivo se refere à capacidade de uma palavra de expressar sentimentos, intensidades ou nuances que vão além do seu sentido literal. O sufixo "-inho" em português é um dos principais recursos para adicionar esses valores.

  • (A) Correta: A expressão "verde-verdinho" acumula o valor intensivo porque a repetição do adjetivo e o uso do diminutivo "-inho" servem para realçar a cor, indicando que o gramado é muito verde. O valor afetivo é atribuído pelo sufixo "-inho", que, além de intensificar, frequentemente confere um tom de carinho, familiaridade, ou até mesmo uma certa ironia ou delicadeza à descrição, evocando uma sensação agradável ou de perfeição (mesmo que usada para contrastar com a crítica posterior).
  • (B) Incorreta: O valor dimensional se refere a tamanho (ex: "pequenino", "grandão"), o que não é o foco aqui.
  • (C) Incorreta: O valor dimensional (tamanho) e quantitativo (quantidade) não são os valores expressos por "verde-verdinho".
  • (D) Incorreta: O valor quantitativo (quantidade) não se aplica. Embora o contexto geral do texto seja crítico, a palavra "verdinho" em si não é primariamente pejorativa (negativa); ela descreve a cor de forma intensificada e com uma nuance afetiva, que pode ser usada ironicamente para destacar o contraste, mas não é intrinsecamente pejorativa.
  • (E) Incorreta: O valor pejorativo (negativo) não é o principal valor do termo "verdinho" em si, que é mais intensivo e afetivo, mesmo que o autor o use para criar um contraste irônico.

Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Técnico I). Reproduzida para fins de estudo.

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