Questão nº 17

Questão de Língua Portuguesa · FGV MPMS 2012 (nº 17)

FGV2012Comum Técnico ILíngua Portuguesa
Gabarito: Bver comentário ↓

A Nova Praga

Não é preciso ter assistido nem à primeira aula de Latim – no tempo em que existia em nossas escolas essa disciplina, cuja ausência foi um desastre para o aprendizado da Língua Portuguesa – para saber que o étimo de nosso substantivo areia é o latim "arena". E, se qualquer pessoa sabe disso até por um instinto primário, é curioso, para usar um termo educado, como nossos locutores e comentaristas de futebol, debruçados sobre um gramado verde‐verdinho, chamam‐no de "arena", numa impropriedade gritante.

Nero dava boas gargalhadas, num comportamento que já trazia latente a sua loucura final, quando via os cristãos lutando contra os leões na arena. Nesse caso, se havia rictus de loucura na face do imperador, pelo menos o termo era totalmente apropriado: o chão da luta dramática entre homem e fera era de areia. Está aí para prová‐lo até hoje o Coliseu.

(....) Mas – ora bolas! –, se o chão é de relva verdejante, é rigorosamente impróprio chamar de “arena” nossos campos de futebol, como fazem hoje. O diabo é que erros infelizmente costumam se espalhar como uma peste, e nem será exagero dizer que, neste caso, o equívoco vem sendo tão contagioso como a peste negra que, em números redondos, matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Índia no século XIV. E os nossos pobres ouvidos têm sido obrigados a aturar os nossos profissionais que transmitem espetáculos esportivos se referirem à arena daqui, à arena de lá, à arena não sei de onde. Assim, já são dezenas de arenas por esse Brasilzão. O velho linguista e filólogo mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909‐1985), a cujo livro mais conhecido peço emprestado o título deste pequeno artigo, deve estar se revirando no túmulo diante da violência de tal impropriedade. O bom Alves era cego, ou quase isso, mas via como ninguém os crimes cometidos contra o idioma.

(Marcos de Castro. www.observatoriodaimprensa.com.br)


Nas frases a seguir foram sublinhadas preposições. Assinale a alternativa que indica a preposição que não foi solicitada pela regência de nenhum termo anterior.

Resposta comentada

Gabarito Alternativa B

O conceito-chave aqui é a regência, que é a relação de dependência entre um termo (regente) e outro (regido), geralmente mediada por uma preposição. A preposição é "solicitada" ou "exigida" pelo termo regente (um verbo, um substantivo ou um adjetivo) para completar seu sentido.

  • (A) Incorreta: O verbo "assistir", no sentido de "ver, presenciar", é transitivo indireto e exige a preposição "a". Portanto, o "à" (a + a) é solicitado pela regência do verbo "assistir".
  • (B) Correta: Na expressão "no tempo em que existia", a preposição "em" faz parte da locução adverbial relativa "em que", que equivale a "quando". Ela não é solicitada pela regência do substantivo "tempo" no sentido de completar seu significado, mas sim introduz uma oração subordinada adverbial de tempo.
  • (C) Incorreta: O verbo "chamar", no sentido de nomear ou apelidar, pode ser transitivo direto e indireto, ou transitivo direto com um predicativo do objeto introduzido pela preposição "de". "Chamar alguém de algo" é uma regência comum do verbo.
  • (D) Incorreta: O adjetivo "obrigado" (no sentido de compelido, forçado) exige a preposição "a" para introduzir a ação a que se está obrigado. "Ser obrigado a fazer algo" é a regência padrão.
  • (E) Incorreta: O verbo pronominal "referir-se" exige a preposição "a". "Referir-se a algo/alguém" é a regência correta. O "à" (a + a) é, portanto, solicitado pelo verbo "referir-se".

Fonte: FGV MPMS 2012 Conhecimentos Comuns (Técnico I). Reproduzida para fins de estudo.

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