Questão nº 44
Questão de Pedagogia · FGV MP-BA 2017 (nº 44)
Inês Barbosa de Oliveira afirma que pensar alternativas curriculares como uma possibilidade de contribuição para a emancipação social traz em si dois pressupostos. Um deles refere-se à definição de currículo.
Para a autora, adepta de uma visão pós-estruturalista, o currículo deve ser compreendido como criação:
- Ados sujeitos que compõem o norte epistemológico e impõem indelevelmente seus saberes a outros que se encontram em situações de miséria social e intelectual;
- Bdas estruturas do Estado totalitário, que se propõe a dirigir as nações em direção a uma sociedade mais justa para todos e todas;
- Ccotidiana daqueles que fazem as escolas e como prática que envolve todos os saberes e processos interativos do trabalho pedagógico realizado por alunos e professores; (alternativa correta)
- Ddos intelectuais ligados aos governos centrais e que deve ser posta em ação pelos profissionais da educação nas escolas, apresentando seus resultados através das avaliações externas;
- Edos movimentos sindicais, dos movimentos sociais e dos sindicatos ligados aos profissionais da educação que conhecem as realidades dos sistemas de ensino do país.
Resposta comentada
Gabarito Alternativa C
O currículo, para a visão pós-estruturalista, não é um plano fixo ou imposto de cima para baixo, mas sim algo que se constrói e se transforma no dia a dia da escola, através das interações e práticas de todos os envolvidos. É um processo vivo e dinâmico, e não um produto acabado.
(A) Incorreta: Essa alternativa sugere a imposição de saberes de um grupo dominante sobre outros, o que é o oposto da perspectiva pós-estruturalista, que questiona verdades universais e busca a desconstrução de discursos hegemônicos. A armadilha aqui é que menciona "sujeitos" e "saberes", mas a ideia de "impor indelevelmente" contradiz a valorização da multiplicidade e da construção coletiva.
(B) Incorreta: A ideia de um "Estado totalitário" que dirige as nações vai contra os princípios pós-estruturalistas de crítica às estruturas de poder centralizadas e aos discursos dominantes.
(C) Correta: Esta alternativa descreve o currículo como uma "criação cotidiana" que acontece na escola, envolvendo "todos os saberes e processos interativos" entre alunos e professores. Isso se alinha perfeitamente com a visão pós-estruturalista, que entende o currículo como algo dinâmico, construído nas relações e práticas diárias, e que valoriza a participação de todos na produção de sentidos e conhecimentos.
(D) Incorreta: Falar em "intelectuais ligados aos governos centrais" e "avaliações externas" remete a uma visão prescritiva, de cima para baixo e padronizada de currículo, o oposto do pós-estruturalismo.
(E) Incorreta: Embora valorize a participação de grupos sociais, ainda sugere uma origem externa (movimentos, sindicatos) que define o currículo, em vez de ser uma construção cotidiana e interativa dentro da própria escola, que é o foco da visão pós-estruturalista.
Fonte: FGV MP-BA 2017 Analista Técnico - Pedagogia (Caderno Tipo 1). Reproduzida para fins de estudo.